Questão FC409723
Fazia mais de um ano que Marcelino, o Nenê, não via seu pai quando desembarcou de um ônibus em São Paulo. Vinha de Carneiros, cidadezinha no sertão de Alagoas, junto com a mãe e os
Semântica
VUNESP · 2023
Fazia mais de um ano que Marcelino, o Nenê, não via seu pai quando desembarcou de um ônibus em São Paulo.
Vinha de Carneiros, cidadezinha no sertão de Alagoas, junto com a mãe e os dois irmãos.
Ao mesmo tempo em que matava as saudades do pai, prestava atenção a tudo que passava no caminho: prédio, escadaria, arranha-céu, carro. Nos primeiros dias na cidade nova, sentava-se na calçada da frente de casa para ver o movimento.
Se, lá na cidade antiga, todo mundo se conhecia, na nova tinha muita, muita gente. E não eram só as pessoas que eram novas – foi em São Paulo que Nenê comeu pizza e hambúrguer pela primeira vez, e foi onde ele conheceu o morango.
Nem tudo foi legal nesse começo. De tanto ter seu sotaque nordestino ridicularizado na escola, Nenê trancou a boca e por três anos só falou o essencial. Começou a achar cruel a mudança de cultura e foi tentando excluir memórias antigas para trocá-las por coisas novas, para ver se era incluído nas turmas.
Essa história já tem quase 15 anos. Depois de trabalhar como entregador de água, ajudante em lava-rápidos, mecânicas, restaurantes e hortifrutis, Nenê hoje é artista.
Em um perfil com 190 mil seguidores numa rede social, ele mostra o resultado de um projeto que vem fazendo há cerca de um ano: o Quebradinha, em que Nenê faz miniaturas de casas, comércios e outras construções típicas de favelas.
“O Quebradinha surge com a intenção de eternizar as memórias. Pego as coisas de que eu me lembro lá da rua em que eu vivia correndo e em que brincava com meus amigos”, resume.
Nenê calcula que já tenha criado quase 15 casinhas. Para construí-las, ele só usa material reciclável. As caixinhas d’água, por exemplo, são tampinhas de desodorante pintadas. As telhas vêm do papelão, os tijolos são de massa de modelar, o cimento é papel machê. O lixinho nos sacos é lixinho mesmo, com madeira, palito, besteiras.
(Marcella Franco. Quebradinha faz sucesso no Instagram com miniaturas de
construções da periferia. www1.folha.uol.com.br, 27.01.2023. Adaptado)
No trecho “… Nenê trancou a boca e por três anos só falou o essencial”, a palavra destacada tem como antônimo, no contexto em que se encontra:
- esperado.
- prioritário.
- verdadeiro.
- nocivo.
- dispensável.
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Comentário do professor
Essencial significa aquilo que é indispensável, necessário para um propósito ou para o funcionamento de algo. No trecho “só falou o essencial”, indica que Nenê limitou-se às informações realmente necessárias, evitando comentários supérfluos.
Dispensável é o termo que traz o sentido oposto: algo que pode ser omitido, que não é necessário ou que é supérfluo. Funciona como antônimo direto de essencial tanto no plano semântico quanto no uso contextual.
No contexto da frase, usar dispensável contrapõe claramente a ideia de falar apenas o imprescindível, pois caracterizaria aquilo que poderia ser retirado da fala — exatamente o oposto do que se designa por essencial.
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