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Questão FC409731

Leia o texto para responder à questão. Tudo se perde – e nos transforma. Há de existir em cada aresta deste planeta um buraco negro de meias desquitadas, elásticos de cabelo exilad

Semântica

VUNESP · 2023

Leia o texto para responder à questão.

Tudo se perde – e nos transforma.

 

Há de existir em cada aresta deste planeta um buraco negro de meias desquitadas, elásticos de cabelo exilados e chaves de casa fugitivas. Uma espécie de país das maravilhas, um mundo invertido acessível apenas ao santo dos três pulinhos — não importa o quanto você revire o sofá, olhe embaixo da cama ou verifique a geladeira (afinal, por que não?). O mistério universal dos objetos perdidos é tema central de dois livros infantojuvenis recém-chegados às livrarias brasileiras. Em Doutor Sumiço (Companhia das Letrinhas), o cartunista paulista Caco Galhardo dá vida a Lico, um garoto que tem o superpoder de fazer as coisas desaparecerem, mas acaba fazendo mau uso desse dom. Já em A costura (Pequena Zahar), a escritora e ilustradora argentina Isol nos conduz pela busca da menina Lila por itens perdidos, que ela crê terem caído em buracos pelo mundo, fissuras que decide procurar e costurar.

 

Em comum às duas histórias há o destaque à figura da avó, não só como porto seguro para os netos, mas também como detentora e guardiã de saberes ancestrais. “No livro, a avó traz o afeto, o amor e a compreensão, sem contar os bolinhos de queijo. E é na casa dela que estão todas as lendas dos nossos antepassados que vão ficando pelo caminho”, conta Galhardo.

 

Embora pouco afeitos a moralidades, os autores deixam esfumaçadas algumas lições valiosas. Por trás da sucessão de perdas que vivenciamos, há uma bonita lição a ser aprendida sobre acolher a impermanência, a efemeridade, o fluxo incessante de chegadas e partidas que dão cadência à vida. As coisas que são deixadas para trás sem que se saiba onde também nos convidam a aceitar o inexplicável como parte intrínseca da jornada. Afinal, mistério sempre há de pintar por aí.

 

(Marília Kodic. Revista Quatro Cinco Um. 30 de maio de 2023. Adaptado)

 

São sinônimos de “aresta” e “efemeridade”, respectivamente, no contexto em que foram empregados, os termos

  1. borda e intensidade.
  2. lugar e suavidade.
  3. lacuna e fugacidade.
  4. canto e transitoriedade.
  5. fragmento e opacidade.
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Gabarito

D

Comentário do professor

“aresta” no trecho “em cada aresta deste planeta” não remete a uma aresta geométrica, mas a um ponto escondido, um recanto. Assim, a palavra funciona como sinônimo de canto, indicando lugar ou região do planeta onde coisas desaparecem.

“efemeridade” refere-se à qualidade de ser breve, de curta duração. No texto, essa ideia aparece no contexto do “fluxo incessante de chegadas e partidas” e da aceitação do que não perdura, o que corresponde diretamente à noção de transitoriedade.

Portanto, canto e transitoriedade são os sinônimos que melhor preservam o sentido contextual das palavras originais, preservando tanto a ideia de lugar quanto a de caráter passageiro.

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