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Questão FC409778

Abalo na infância A epidemia e suas sequelas socioeconômicas tiraram mais de 653 mil crianças pequenas da escola. Em 2021, o número de matrículas de alunos de até 5 anos caiu 7,3%

Semântica

VUNESP · 2022

Abalo na infância

 

A epidemia e suas sequelas socioeconômicas tiraram mais de 653 mil crianças pequenas da escola. Em 2021, o número de matrículas de alunos de até 5 anos caiu 7,3% em relação a 2019. Foi a informação que mais chamou a atenção no Censo Escolar, e não por menos.

 

Creches e pré-escolas estão entre os problemas sociais mais urgentes. Ainda assim, as estatísticas ressaltam também deficiências e desigualdades crônicas.

 

O número de matriculados no ensino fundamental também caiu. Trata-se, entretanto, de fenômeno de mais de meia década, em boa parte relacionado à diminuição da população de 6 a 14 anos. No caso da educação infantil, observa-se situação mais precária. Apenas 35,6% das crianças frequentam creches, pelo dado mais recente, de 2019.

 

A educação infantil é uma fase crítica de preparação para o ensino fundamental. Reduz desigualdades entre filhos de famílias com muitos recursos culturais e socioeconômicos e aquelas na pobreza. Pode proporcionar um ambiente protegido e estimulante para os filhos de quem precisa trabalhar e não conta com cuidadores. É nessa etapa, ademais, que se registra a maior desigualdade de acesso. São assuntos que deveriam estar no centro do debate social.

 

O censo evidencia ainda a disparidade de recursos educacionais (acesso à internet, computadores para estudantes, bibliotecas etc.) entre as regiões do país. No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, a internet é utilizada no ensino em pelo menos 72% das escolas; no Nordeste, em 36,3%, e no Norte, em 22,3%.

 

Ainda é chocante o número de estudantes que não está na série adequada à sua idade, resultado de repetências e abandonos. A distorção série-idade no 9o ano é de 25,5% no caso do sexo masculino e de 17,7% no feminino.

 

Educação infantil, atraso escolar ou ensino ineficiente são temas centrais da pobreza e da desigualdade. Nas acirradas polêmicas nacionais ou entre candidatos ao poder, o assunto ainda não foi objeto de toda a atenção necessária.

 

(Editorial. Folha de S.Paulo, 05.02.2022. Adaptado)

 

No editorial, o termo destacado na frase do parágrafo – Nas acirradas polêmicas nacionais ou entre candidatos ao poder… – expressa a ideia de que, nas polêmicas entre si, os candidatos ao poder costumam ser

  1. sensatos.
  2. obstinados.
  3. evasivos.
  4. individualistas.
  5. involuntários.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Acirradas vem de acirrar, verbo que significa tornar mais intenso ou veemente um conflito, uma disputa ou uma discussão. Em textos jornalísticos, polêmicas acirradas indica debates marcados por forte antagonismo, intensidade e continuidade.

Nesse sentido, obstinados traduz bem a ideia: refere-se a atitudes ou posições persistentes e tenazes, que se mantêm firmes mesmo diante de oposição. Políticos envolvidos em discussões “acirradas” agem de modo obstinado, insistindo em suas posições e ampliando o embate.

Portanto, no contexto da frase, obstinados capta a combinação de intensidade e persistência inerente a "acirradas", justificando a escolha da alternativa correta.

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