Questão FC409831
Computadores contra a leitura Crianças pequenas devem ter acesso a tablets? É preciso controlar as horas de exposição de adolescentes a jogos de computador? Se você está confuso co
Morfologia
VUNESP · 2019
Computadores contra a leitura
Crianças pequenas devem ter acesso a tablets? É preciso controlar as horas de exposição de adolescentes a jogos de computador? Se você está confuso com essas questões, tem bons motivos. Cientistas que estudam como o cérebro lida com meios digitais também estão. Acaba de sair no Brasil “O Cérebro no Mundo Digital”, em que a neurocientista especializada em leitura Maryanne Wolf tenta ao menos mapear o terreno em que pisamos.
Para Wolf, existem motivos para preocupação, ainda que não para pessimismo. Embora seja cedo para qualquer conclusão definitiva, as evidências até aqui colhidas sugerem que a proliferação dos meios digitais pode ter impactos sobre a formação do cérebro leitor.
A preocupação maior, diz Wolf, é com a leitura profunda – uma leitura razoavelmente detida, na qual compreendemos não apenas as palavras como extraímos o sentido geral delas e experimentamos as emoções que elas evocam. Crianças e mesmo adultos que leem em um dispositivo digital apresentam menores taxas de compreensão e retenção do texto do que quando o leem em versão impressa.
Uma hipótese para explicar o fenômeno é que os computadores, ao proporcionar uma grande variedade de coisas interessantes, que fazem com que a atenção das pessoas pule a todo instante de um item para o próximo, habituam- -nos a operar com um nível de concentração alterado. Quando não estamos sendo submetidos a uma montanha-russa de estímulos, sentimo-nos entediados.
A sugestão de Wolf é que tentemos desenvolver uma espécie de bilinguismo literário. Precisamos ser capazes de exercer tanto a leitura rápida cobrada pelos meios digitais como, quando for o caso, a leitura profunda, exigida para pensar direito e fruir de tudo aquilo que um bom texto oferece.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br. 23.06.2019. Adaptado)
Considerando que a informação de que os computadores “habituam-nos a operar com um nível de concentração alterado” é apresentada no texto como hipótese, essa noção de hipótese está corretamente expressa em:
- Os computadores têm nos habituado a operar…
- Os computadores estariam nos habituando a operar…
- Os computadores estavam nos habituando a operar…
- Os computadores estão nos habituando a operar…
- Os computadores estiveram nos habituando a operar…
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Gabarito
B
Comentário do professor
Estariam é verbo no futuro do pretérito do indicativo, forma que frequentemente expressa hipótese, suposição ou probabilidade, não certeza absoluta.
Ao dizer Os computadores estariam nos habituando a operar…, o enunciador sinaliza que essa é uma conjectura decorrente de observações ainda não conclusivas — exatamente como o texto trata a ideia: uma possibilidade a ser investigada.
Esse uso comunica distância epistemológica: não afirma o fato como verdadeiro, mas apresenta-o como suposição plausível. Ex.: Ele estaria em casa agora = talvez esteja; não é afirmativo.
Portanto, a alternativa B espelha corretamente a noção de hipótese indicada pelo autor ao empregar uma forma verbal que suaviza a afirmação e a transforma em suposição.
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