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Questão FC409903

Leia o texto para responder à questão. A lama que cobre tudo O mar de lama que inundou o Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, esconde ocorrências e consequências que a própria intens

Morfologia

VUNESP · 2016

Leia o texto para responder à questão.

 

A lama que cobre tudo

 

O mar de lama que inundou o Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, esconde ocorrências e consequências que a própria intensidade da tragédia coloca em plano obscuro e até em silêncio. Aquelas que o senso comum dos distantes não considera dignas de atenção, de interesse e, mesmo, de compaixão. Lamentam-se os mortos e desaparecidos e há gratidão pelas vidas que se salvaram graças a gestos de solidariedade de pessoas educadas nos valores comunitários da precedência do bem comum e da vida em relação a tudo o mais.

 

As ciências, não raro, têm se valido das revelações dos desastres naturais para ampliar o conhecimento científico sobre realidades que não poderiam ser observadas de outro modo. Quando os desastres naturais constituem, também, desastres sociais e humanos, como nesse caso do Rio Doce, é a vez da antropologia e da sociologia fazerem descobertas que podem ampliar conhecimentos com função humanitária na prevenção e na definição de políticas públicas. As sociedades, como as pessoas, se revigoram e até se reinventam em face da tragédia. É o que faz, para os cientistas sociais, novas revelações sobre o que elas são e como funcionam.

 

Nos povoados e nas pequenas localidades atravessados pelo Rio Doce, por onde escoa a lama mortífera, ribeirinhos acrescentam um item, para eles essencial, ao inventário de perdas e danos dela decorrentes: a lama afogou o mundo comunitário dos simples, a sociedade de vizinhança, os valores humanos centrados na pessoa, que cimentam os relacionamentos e que explicam os repetidos gestos de solidariedade e de prontidão que salvaram vidas. Nos fragmentos de entrevistas com as vítimas, que circularam pela mídia, há reiterada manifestação de dor e sofrimento pela perda das referências da vida cotidiana, a vizinhança desfeita, a incerteza quanto ao destino, o próprio desenho do espaço, casas, cercas, árvores, demarcações simbólicas do espírito e do ser. Não estão falando das perdas materiais: uma casa nova sempre pode ser construída, um novo sítio sempre pode ser aberto em outro terreno. Mas, a comunidade, a unidade afetiva do grupo humano, pode se perder. É uma modalidade de morte.

 

A história não é o passado, não escorre na lama do rio. Ela atravessa e determina o nosso presente, define esperanças e possibilidades, nos convida a continuar o que deu e dá sentido às nossas raízes para dar sentido ao nosso presente e a recriar em nós a concepção de membros de uma sociedade que se renova na permanência. Legado e patrimônio plasmam-se nos marcos significativos da existência grupal: uma casa de pau a pique, o perfume das rosas de uma roseira rústica, o canto do sabiá, as plantas contra o mau olhado. As demarcações identitárias dos símbolos, das coisas que só existem como todo na obra que deu forma e vida a determinado lugar.

 

(José de Souza Martins. Disponível em http://estadao.com.br. 30.11.2015. Adaptado)

 

No trecho do 1º parágrafo – O mar de lama que inundou o Vale do Rio Doce esconde ocorrências… –, a forma verbal em destaque indica uma ação pontual que ocorreu no passado. Se a intenção fosse indicar uma ação durativa no passado, essa forma verbal deveria ser alterada para

  1. inundara.
  2. inundaria.
  3. inundasse.
  4. inundava.
  5. inundará.
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Gabarito

D

Comentário do professor

inundava é a forma do pretérito imperfeito do indicativo. Essa forma verbal serve para relatar um fato passado visto como contínuo, habitual ou em desenvolvimento, não como ocorrência pontual já encerrada.


No contexto, usar inundava transmite que a lama atuava de maneira prolongada sobre o Vale do Rio Doce, caracterizando uma ação durativa no passado que delineia o cenário em que outros acontecimentos ou efeitos se desenrolaram.


Gramaticalmente, o imperfeito estabelece o pano de fundo de uma narrativa, descrevendo estados ou ações em curso no passado, ao contrário do pretérito perfeito, que marcaria um evento concluído.

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