Questão FC409907
Leia o texto para responder à questão. Cartas de Amor Eu era aluno do Júlio de Castilhos e estudava à tarde (as manhãs, naquela época, estavam reservadas às turmas femininas). Um d
Morfologia
VUNESP · 2016
Leia o texto para responder à questão.
Cartas de Amor
Eu era aluno do Júlio de Castilhos e estudava à tarde (as manhãs, naquela época, estavam reservadas às turmas femininas). Um dia cheguei para a aula, coloquei meus livros na carteira e ali estava, bem no fundo, um papel cuidadosamente dobrado. Era uma carta; dirigida não a mim, mas “ao colega da tarde”. E era uma carta de amor. De amor, não; de paixão. Paixão incontida, transbordante, a carta de uma alma sequiosa de afeto, ________________ o jovem escritor não teve a menor dificuldade de enviar a resposta.
Iniciou-se, assim, uma correspondência que se prolongou pelo ano letivo, não se interrompendo nem com as provas, nem com as férias de julho. À medida que o ano ia chegando a seu fim, os arroubos epistolares iam crescendo. Cheguei à conclusão de que precisava conhecer minha correspondente, aquela bela da manhã que me encantava com suas frases.
Mas… Seria realmente bela? A julgar pela letra, sim; eu até a imaginava como uma moça esguia, morena, de belos olhos verdes. Contudo, nem mesmo os grandes especialistas em grafologia estão imunes ao erro, e um engano poderia ser trágico. Além disto, eu já tinha uma namorada que não escrevia, mas era igualmente apaixonada.
Optei, portanto, pelo mistério, pelo “nunca vi, sempre te amei”. A minha história de amor continuou somente na fantasia. Que é o melhor lugar para as grandes histórias de amor.
(Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, 1996. Adaptado)
Vocabulário:
Arroubos: impulsos
Epistolares: relativos à carta
Grafologia: estudo das formas das letras
Nas passagens “Eu era aluno do Júlio de Castilhos e estudava à tarde…” e “… e um engano poderia ser trágico.”, as formas verbais em destaque expressam, respectivamente,
- hipótese e ação concluída.
- ação atual e hipótese.
- ação contínua no passado e ação atual.
- ação contínua no passado e hipótese.
- ação concluída no passado e ação atual.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa D está correta.
"estudava" é verbo no pretérito imperfeito do indicativo. Esse tempo serve para indicar ação contínua ou habitual no passado — algo que ocorria regularmente ou fazia parte do cenário histórico. No trecho, "eu estudava à tarde" aponta exatamente para essa rotina passada.
"poderia" está no futuro do pretérito do indicativo (condicional) e expressa hipótese/possibilidade, não certeza. Em "um engano poderia ser trágico", o autor aponta uma consequência provável, condicionada, sem afirmá‑la como fato.
Portanto, os dois verbos cumprem as funções descritas: ação contínua no passado e hipótese, respectivamente.
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