Questão FC409952
Leia o texto para responder à questão. Um tiro no escuro – Quem atirou em quem? – provoco minha mãe. – Uai, foi você que atirou no seu irmão. – ela responde, convicta. Isso acontec
Morfologia
VUNESP · 2015
Leia o texto para responder à questão.
Um tiro no escuro
– Quem atirou em quem? – provoco minha mãe.
– Uai, foi você que atirou no seu irmão. – ela responde, convicta.
Isso aconteceu nos anos de 1980, bem no começo. Naquela época era tudo meio inconsequente. Meu pai havia nos presenteado com uma espingarda de pressão. Com que cargas d’água alguém teria a brilhante ideia de dar uma arma para duas crianças? Pois é, isso era normal. Como era normal também passearmos pela cidade em um Fusca, todos sem cinto de segurança e felizes como nunca. Tínhamos a impressão de que tudo era meio permitido, mas, lógico, dentro de parâmetros que levavam em conta o respeito ao próximo e o amor incondicional à família.
Brincávamos na rua e ela era tão perigosa quanto é hoje. Havia os carros descontrolados, os motoristas bêbados, as motos a todo vapor, os paralelepípedos soltos como armadilhas propositais. Tudo era afiado ou pontiagudo, menos a dedicação de dona Izolina. Perto da janta ela nos gritava e, chateados, nos recolhíamos para a sala. Havia uma mesa e todos nos sentávamos, juntos, para celebrar mais um dia em que nada nos faltara.
Hoje, os brinquedos de criança parecem mais arredondados, não há armas em casa, mas os perigos são os mesmos: um arranhão em minha filha, Helena, dói tanto quanto um hematoma sofrido em nossa infância.
Ah, mãe, fui eu que atirei em meu irmão e, logo após o grito estridente dele, saí gritando igualmente pela casa, desolado e pesaroso, porque havia assassinado um parente tão próximo. Mas nada acontecera, nem uma esfoladela. Ele usava uma bermuda jeans e eu, com minha pontaria genial, havia acertado a nádega direita, de modo que o pequeno projétil se intimidara diante da força do tecido. Foi assim, mãe. Agora a senhora já pode contar para todos a história correta.
(Whisner Fraga. www.cronicadodia.com.br, 10.05.2015. Adaptado)
A forma verbal destacada em – Havia uma mesa e todos nos sentávamos, juntos, para celebrar mais um dia em que nada nos
faltara. – está corretamente substituída, sem que se alterem o tempo ou o modo verbais, por:
- tinha faltado.
- ter faltado.
- tiver faltado.
- terá faltado.
- tenha faltado.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Na oração "(...) para celebrar mais um dia em que nada nos faltara", a forma destacada está no Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo, marcada pela desinência "-ra" e que expressa anterioridade em relação a outro fato passado.
A alternativa correta, "tinha faltado", é formada pela estrutura ter no Pretérito Imperfeito do Indicativo + particípio ("faltado"), ou seja, o Pretérito Mais-que-Perfeito Composto do Indicativo.
Semântica e formalmente, ambas as formas são equivalentes: transmitem a ideia de que algo (a falta) teria ocorrido antes de outro evento passado. Assim, pode-se substituir sem alterar tempo ou modo: "(...) para celebrar mais um dia em que nada nos tinha faltado".
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