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Questão FC409953

Leia o texto para responder à questão. Bem vejo que me podeis dizer, Senhor, que a propagação de vossa Fé e as obras de vossa glória não dependem de nós, nem de ninguém, e que sois

Morfologia

VUNESP · 2015

Leia o texto para responder à questão.

 

Bem vejo que me podeis dizer, Senhor, que a propagação de vossa Fé e as obras de vossa glória não dependem de nós, nem de ninguém, e que sois poderoso, quando faltem homens, para fazer das pedras filhos de Abraão. Mas também a vossa sabedoria e a experiência de todos os séculos nos têm ensinado que depois de Adão não criastes homens de novo, que vos servis dos que tendes neste Mundo, e que nunca admitis os menos bons, senão em falta dos melhores. Assim o fizestes na parábola do banquete. Mandastes chamar os convidados que tínheis escolhido, e porque eles se escusaram e não quiseram vir, então admitistes os cegos e mancos, e os introduzistes em seu lugar: Caecos et claudos introduc huc. E se esta é, Deus meu, a regular disposição de vossa providência divina, como a vemos agora tão trocada em nós e tão diferente conosco? Quais foram estes convidados e quais são estes cegos e mancos? Os convidados fomos nós, a quem primeiro chamastes para estas terras, e nelas nos pusestes a mesa, tão franca e abundante, como de vossa grandeza se podia esperar. Os cegos e mancos são os luteranos e calvinistas, cegos sem fé e mancos sem obras, na reprovação das quais consiste o principal erro da sua heresia. Pois se nós, que fomos os convidados, não nos escusamos nem duvidamos de vir, antes rompemos por muitos inconvenientes em que pudéramos duvidar; se viemos e nos assentamos à mesa, como nos excluís agora e lançais fora dela e introduzis violentamente os cegos e mancos, e dais os nossos lugares aos hereges? Quando em tudo o mais foram eles tão bons como nós, ou nós tão maus como eles, por que nos não há-de valer pelo menos o privilégio e prerrogativa da Fé? Em tudo parece, Senhor, que trocais os estilos de vossa providência e mudais as leis de vossa justiça conosco.

 

(Padre Antonio Vieira, Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda).

 

Caecos et claudos introduc huc. = Traze para aqui os cegos e os coxos.

 

Tratando o interlocutor como Você e passando os verbos para o futuro, a passagem “... se viemos e nos assentamos à mesa, como nos excluís agora e lançais fora dela e introduzis violentamente os cegos e mancos, e dais os nossos lugares aos hereges?” assume a seguinte redação:

  1. ... se virmos e nos assentarmos à mesa, como nos exclui então e lança fora dela e introduz violentamente os cegos e mancos, e dá os nossos lugares aos hereges?
  2. ... se viermos e nos assentarmos à mesa, como nos excluirá então e lançará fora dela e introduzirá violentamente os cegos e mancos, e dará os nossos lugares aos hereges?
  3. ... se viremos e nos assentemos à mesa, como nos exclua então e lançarás fora dela e introduzirás violentamente os cegos e mancos, e darás os nossos lugares aos hereges?
  4. ... se vimos e nos assentamos à mesa, como nos excluíra então e lançara fora dela e introduzira violentamente os cegos e mancos, e dera os nossos lugares aos hereges?
  5. ... se viermos e nos assentaremos à mesa, como nos vai excluir então e lançar fora dela e introduzirá violentamente os cegos e mancos, e dá os nossos lugares aos hereges?
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa B é correta porque substitui o tratamento por Você, o que exige flexão na 3ª pessoa do singular. Assim, os verbos dirigidos ao interlocutor deixam a 2ª pessoa do plural e passam para formas compatíveis com Você.

Além disso, a oração condicional iniciada por "se" mantém a ideia de hipótese e, por isso, os verbos referentes a quem fala (nós) vão para o futuro do subjuntivo: viermos e assentarmos. Os verbos que dependem do pronome de tratamento ficam no futuro do presente da 3ª pessoa do singular: excluirá, lançará, introduzirá, dará.

Mantendo o pronome reflexivo nos na 1ª pessoa do plural e aplicando essas regras de concordância e tempo verbal, obtém‑se a redação proposta pela alternativa B, que preserva sentido e paralelismo.

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