Questão FC409957
Leia o texto, para responder à questão. “Aprender dormindo” parece uma possibilidade tão atraente quanto “perder peso comendo”: ambas prometem benefícios alcançados sem esforço. Nã
Morfologia
VUNESP · 2015
Leia o texto, para responder à questão.
“Aprender dormindo” parece uma possibilidade tão atraente quanto “perder peso comendo”: ambas prometem benefícios alcançados sem esforço. Não à toa, muita besteira já foi dita, prometida e sobretudo vendida fazendo mau uso do santo nome da ciência, como as gravações em línguas estrangeiras para “ouvir” durante a noite.
Mas eis que surge algo que de fato se aprende enquanto inconsciente – e, de fato, só nesse estado. A descoberta vem do grupo de Noam Sobel, pesquisador do Instituto Weizmann, em Israel. Foi Sobel quem convenceu universitários a acompanhar pelo olfato um rastro de chocolate engatinhando de olhos vendados na grama, mostrando que nós, humanos, conseguimos, sim, fazer algo que achávamos ser prerrogativa de quadrúpedes.
Ele e sua equipe se valeram de uma particularidade do olfato: esse sentido tem acesso direto ao córtex cerebral, sem precisar passar pelo tálamo primeiro, e provavelmente por isso continua funcionando durante o sono, mas sem acordar quem dorme (enquanto outros estímulos podem sacudir o tálamo de seu torpor).
Sobel queria saber se essa particularidade torna o cérebro capaz de aprender inconscientemente, por condicionamento clássico, como o cachorro de Pavlov que passava a salivar ao ouvir um sino que prenunciava comida. Os voluntários humanos de Sobel eram fumantes de longa data, e passaram a semana anterior ao experimento contando quantos cigarros fumavam. No experimento, realizado durante o sono, os pesquisadores faziam os voluntários, adormecidos, inalar “aroma de cigarro” seguido ou não, na inspiração seguinte, de “aroma de peixe podre”.
Mesmo adormecido, o cérebro registrou a associação: no dia seguinte, os voluntários do grupo experimental, e só eles, fumaram de 30% a 40% menos cigarros – redução que foi passando ao longo da semana.
Curiosamente, o efeito não pode ser atribuído a uma recém-adquirida aversão ao cheiro do cigarro, pois a percepção consciente não mudou. A nova associação entre cheiro de cigarro e peixe podre deixa suas marcas nos recônditos do cérebro, sem acesso à consciência.
O curioso é que não fumantes não precisam de nada disso: para nós, cigarros já têm cheiro de... cigarro, o que é ruim o suficiente. Ah, o que o vício não faz com o cérebro.
(Suzana Herculano-Houzel, Enfim, algo que se aprende
dormindo. Folha de S.Paulo, 01.09.2015. Adaptado)
Observe os verbos destacados nas frases – A descoberta vem do grupo de Noam Sobel... / … esse sentido tem acesso direto… – e assinale a alternativa em que os verbos deles derivados estão conjugados de acordo com a norma-padrão.
- O grupo de voluntários, que provinha da universidade, talvez não detesse informações sobre o experimento.
- Talvez os resultados provissem de experiências pouco convencionais, mas é certo que continham dados interessantes.
- Ninguém interviu na pesquisa, para que se mantessem as condições para atingir bons resultados.
- As consequências que sobreviram estão relacionadas aos recursos para a pesquisa, os quais os gestores reteram.
- Era esperado que alguns pesquisadores se desaviessem com outros, pois nem todos se detiveram a examinar os resultados com cuidado.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa está correta porque as formas verbais obedecem ao tempo e ao modo exigidos pelo contexto e às irregularidades dos paradigmas.
Em "Era esperado que alguns pesquisadores se desaviessem...", a oração subordinada expresa hipótese/desejo numa estrutura regida por verbo no passado; por isso usa-se o pretérito imperfeito do subjuntivo. O verbo desavir segue o padrão de vir no subjuntivo (viesse/viessem), daí desaviessem.
Em "pois nem todos se detiveram a examinar...", trata‑se de ação concluída, real e passada, logo emprega-se o pretérito perfeito do indicativo. O verbo deter incorpora a irregularidade de ter no pretérito perfeito (eu detive... eles detiveram), justificando a forma.
Assim, ambas as flexões estão corretas quanto ao modo, tempo e paradigmas irregulares dos verbos.
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