FC ConcursosFC Concursos

Questão FC409999

Em uma sociedade desigual, aqueles que alcançam o topo querem acreditar que seu sucesso tem justificativa moral. Em uma sociedade de meritocracia*, isso significa que os vencedores

Ortografia

VUNESP · 2022

Leia o texto, para responder à questão.

 

Em uma sociedade desigual, aqueles que alcançam o topo querem acreditar que seu sucesso tem justificativa moral. Em uma sociedade de meritocracia*, isso significa que os vencedores devem acreditar que conquistaram o sucesso através do próprio talento e empenho. Quem entra em uma universidade pública de prestígio com credenciais brilhantes se orgulha da conquista e considera que o fez por conta própria. Mas isso, de certa forma, é ilusório. Ainda que seja verdade o fato de a entrada refletir dedicação e empenho, não se pode dizer que foi somente resultado da própria ação. E o que dizer a respeito de pai, mãe e professores que ajudaram ao longo do caminho? E a sorte de viver em uma sociedade que cultiva e recompensa os talentos que eles por acaso têm?

 

As pessoas que, por meio de um pouco de esforço e talento, prevalecem em uma meritocracia ficam endividadas de uma forma que a competição ofusca. À medida que a meritocracia se intensifica, o esforço nos absorve tanto que o fato de estarmos endividados sai de vista. Dessa maneira, até mesmo uma meritocracia justa, uma em que não haja trapaça, ou suborno, ou privilégios especiais para os ricos, induz a uma impressão equivocada: de que chegamos lá por conta própria. Os anos de árduo esforço exigidos de candidatos a universidades de elite praticamente os obriga a acreditar que o sucesso deles é resultado das próprias ações, e, se fracassarem, não terão a quem culpar, a não ser a si mesmos.

 

Esse é um fardo pesado para pessoas jovens carregarem. Além disso, corrói sensibilidades cívicas. Porque quanto mais pensarmos em nós como pessoas que vencem pelo próprio esforço e que são autossuficientes, mais difícil será aprender a ter gratidão e humildade. E sem esses sentimentos é difícil se importar com o bem comum.

 

O ingresso em universidades não é a única ocasião para discussões sobre mérito. Na política contemporânea, há uma abundância de debates acerca de quem merece o quê. Na superfície, esses debates são sobre o que é justo – todo mundo tem oportunidades verdadeiramente iguais para competir por bens desejáveis e posições sociais? No entanto, nossas discordâncias a propósito do mérito não são apenas em relação a ser justo mas também quanto a como definimos sucesso e fracasso, vencer e perder, e o comportamento que vencedores devem direcionar àqueles menos bem-sucedidos do que eles. Essas são questões bastante pesadas e que tentamos evitar, até o momento em que elas se lançam sobre nós. Precisamos perguntar se a solução para nossa política conflituosa é viver mais fielmente pelo princípio do mérito ou buscar um bem comum além da classificação e da luta.

 

* meritocracia: sistema de recompensa e/ou promoção fundamentado no mérito pessoal

 

(Michael J. Sandel. A tirania do mérito: o que aconteceu com o bem comum? Trad. Bhuvi Libanio. – 4a ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021. Excerto adaptado)

 

A expressão destacada na frase do último parágrafo – Na política contemporânea, há uma abundância de debates acerca de quem merece o quê. – é empregada, no contexto, com sentido equivalente ao da expressão destacada em:

  1. Porque quanto mais pensarmos em nós como pessoas que vencem pelo próprio esforço... (3o parágrafo)
  2. ... devem acreditar que conquistaram o sucesso através do próprio talento e empenho. (1o parágrafo)
  3. E o que dizer a respeito de pai, mãe e professores que ajudaram ao longo do caminho? (1o parágrafo)
  4. As pessoas que, por meio de um pouco de esforço e talento, prevalecem em uma meritocracia... (2o parágrafo)
  5. ... viver mais fielmente pelo princípio do mérito ou buscar um bem comum além da classificação e da luta. (4o parágrafo)
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Certo

Comentário do professor

"Na política contemporânea, há uma abundância de debates acerca de quem merece o quê."

Na oração acima, a locução acerca de tem valor preposicional equivalente a sobre ou a respeito de: introduz o assunto dos debates, isto é, o tema em discussão.

A alternativa correta reproduz essa função: "E o que dizer a respeito de pai, mãe e professores que ajudaram ao longo do caminho?" Aqui, a respeito de também marca o tema sobre o qual se pergunta — as pessoas que contribuíram para o sucesso.

Em síntese, ambas as locuções cumprirem a mesma função semântica e sintática: preposições que introduzem o complemento que indica o que está sendo discutido.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo