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Questão FC410007

Por que apenas metade da população brasileira é leitora? Por que o percentual de leitores vai “despencando” a partir dos 11 anos de idade? De acordo com a 5a edição da pesquisa “Re

Ortografia

VUNESP · 2021

     Por que apenas metade da população brasileira é leitora? Por que o percentual de leitores vai “despencando” a partir dos 11 anos de idade? De acordo com a 5a edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), Itaú Cultural e Ibope Inteligência, houve uma queda de 4,6 milhões de leitores no Brasil no período de 2015 a 2019. Será mesmo que as redes sociais, a falta de tempo e o não gostar são fatores principais para essa triste verdade?

     Acredito que o ensino da leitura, embora muito falado e muito estudado, não tem efetivamente avançado. A participação social efetiva das pessoas pressupõe o domínio e a compreensão da linguagem escrita. Sendo assim, se a escola é o espaço do educar, é de sua responsabilidade não apenas ensinar a ler, como mais precisamente, formar cidadãos leitores.

     Para ensinar a ler não basta ensinar a decodificar, é preciso ensinar a dialogar entre textos, contextos e autores. Não basta também, apenas a escolha dos bons textos literários, é preciso muito mais do que isso. De acordo com a pesquisa já citada, a grande problemática para o declínio leitor está na mediação da leitura.

     É preciso entender que o ato da leitura é espaço dialógico entre o mediador, o texto e o aluno, e é no momento da leitura que os encontros e os desencontros das posições frente ao lido acontecem. Porém, para que os encontros e desencontros aconteçam torna-se necessário um planejamento da mediação. Tornam-se necessárias horas de estudo do que será levado para a turma, do encantamento do mediador com o texto, da antecipação das possíveis dificuldades, do planejamento das “pontes” que serão construídas. Enfim, exige um trabalho árduo e contínuo. Exige um sujeito leitor.

     Não se faz mediação de leitura ou não se forma cidadãos leitores com pessoas não leitoras. Aquele que faz mediação, aquele que forma leitores antes de tudo deve ser um sujeito leitor. Dificilmente alguém se torna um leitor de profundidade se não houver uma boa referência.

     Para aqueles que escolheram a formação de cidadãos (professores, no caso) é preciso abastecer-se. Precisamos ler, se não somos, necessitamos nos formar leitores. Aqueles que não escolheram o caminho da docência, experimentariam a leveza e o prazer que a leitura proporciona. Assisti, dias atrás, a um programa para professores, nele o escritor Rafael Gallo dava uma dica para aqueles que ainda não eram leitores. Disse ele que era preciso ler muito, ler mais, ler de tudo; e se, ainda assim, não gostasse, continuasse à procura. Porque buscar é imperativo.

 

(Vanessa Marques de Almeida Passarim. Formação de leitores. Diário da Região, 06.06.2021. Adaptado)

Para responder a esta questão, considere as expressões destacadas nas passagens inicial e final do texto e no trecho a seguir. Sinceramente não se sabe por que tão poucos leem. E seria possível afirmar que o declínio do percentual de leitores ocorre porque as mídias visuais são mais atrativas? É difícil encontrar a razão por que apenas metade da população lê. À vista das expressões do texto e do trecho, é correto afirmar, como regra abrangente para justificar as ocorrências:

  1. “Por que” equivale a “por qual motivo” e é empregado na formulação de frases interrogativas; “porque” equivale a “pelo(a) qual” e se emprega relacionando frases declarativas.
  2. “Por que” equivale a “por qual motivo” ou a “pelo(a) qual”; “porque” equivale ao conectivo “pois “. Todas essas expressões podem ocorrer em frases interrogativas ou declarativas.
  3. “Por que” e “porque” são equivalentes de sentido quando empregados em frases declarativas; “por que” equivalendo a “pelo(a) qual” não se emprega em frases interrogativas.
  4. “Porque” relaciona enunciados associando-os pela noção de causa e efeito, caso em que pode ser substituído pelo pronome relativo “pelo(a) qual”.
  5. Tanto “por que” quanto “porque” têm emprego em frases declarativas; em frases interrogativas o emprego padrão é de “porque” equivalendo a “por qual motivo”.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Por que corresponde à preposição por + pronome interrogativo/relativo que, e equivale a "por qual motivo/razão" ou a "pelo(a) qual" quando retoma substantivo. Aparece em perguntas diretas ("Por que caem os leitores?") e em perguntas indiretas inseridas em frases declarativas ("Não se sabe por que tão poucos leem.").

Porque é conjunção causal (ou explicativa), com sentido de "pois", e liga orações expressando causa ou explicação ("declínio ocorre porque as mídias visuais são mais atrativas."); sua função é conectiva em orações declarativas que justificam ou explicam.

Assim, a alternativa aponta corretamente as equivalências e o uso contextual dessas formas: por que = pergunta/retomador; porque = conjunção causal/explicativa.

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