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Questão FC410020

Sinha Vitória tinha amanhecido nos seus azeites. Fora de propósito, dissera ao marido umas inconveniências a respeito da cama de varas. Fabiano, que não esperava semelhante desatin

Ortografia

VUNESP · 2018

Sinha Vitória tinha amanhecido nos seus azeites. Fora de propósito, dissera ao marido umas inconveniências a respeito da cama de varas. Fabiano, que não esperava semelhante desatino, apenas grunhira: – “Hum! hum!” E amunhecara, porque realmente mulher é bicho difícil de entender, deitaras-e na rede e pegara no sono. Sinha Vitória andara para cima e para baixo, procurando em que desabafar. Como achasse tudo em ordem, queixara-se da vida. E agora vingava-se em Baleia, dando-lhe um pontapé.


Avizinhou-se da janela baixa da cozinha, viu os meninos, entretidos no barreiro, sujos de lama, fabricando bois de barro, que secavam ao sol, sob o pé de turco, e não encontrou motivo para repreendê-los. Pensou de novo na cama de varas e mentalmente xingou Fabiano. Dormiam naquilo, tinham-se acostumado, mas seria mais agradável dormirem numa cama de lastro de couro, como outras pessoas.


Fazia mais de um ano que falava nisso ao marido. Fabiano a princípio concordara com ela, mastigara cálculos, tudo errado. Tanto para o couro, tanto para a armação. Bem. Poderiam adquirir o móvel necessário economizando na roupa e no querosene. Sinha Vitória respondera que isso era impossível, porque eles vestiam mal, as crianças andavam nuas, e recolhiam-se todos ao anoitecer. Para bem dizer, não se acendiam candeeiros na casa. Tinham discutido, procurando cortar outras despesas. [...]


Um mormaço levantava-se da terra queimada. Estremeceu lembrando-se da seca, o rosto moreno desbotou, os olhos pretos arregalaram-se. Diligenciou afastar a recordação, temendo que ela virasse realidade. Rezou baixinho uma avemaria, já tranquila, a atenção desviada para um buraco que havia na cerca do chiqueiro das cabras. Esfarelou a pele de fumo entre as palmas das mãos grossas, encheu o cachimbo de barro, foi consertar a cerca.


(Graciliano Ramos. Vidas Secas. Adaptado)

 

Sinha Vitória avizinhou-se da janela baixa da cozinha, viu os meninos, entretidos no barreiro, fabricando bois de barro. Não encontrou motivo para uma _________ às crianças. Pensou de novo na cama de varas e mentalmente xingou Fabiano. Dormiam _______ . Dormiam naquilo __________ tinham-se acostumado, mas seria mais agradável dormirem numa cama de lastro de couro, como outras pessoas.


Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do trecho, adaptado do original, devem ser preenchidas, respectivamente, com:

  1. repreensão … mau … porque
  2. repreenção … mal … por que
  3. reprensão … mau … por que
  4. repreensão … mal … porque
  5. repreenção … mal … porque
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Gabarito

D

Comentário do professor

As lacunas são preenchidas por repreensão, mal e porque.

Repreensão: substantivo escrito com s, pois deriva do verbo repreender (verbos em -nder geram derivados com s). Significa censura ou admoestação, adequada ao contexto: "não encontrou motivo para uma repreensão".

Mal: aqui funciona como advérbio de modo (adjunto adverbial) — qual era a qualidade do sono? — então usa‑se mal (opõe‑se a bem), não o adjetivo mau (opõe‑se a bom).

Porque: conjunção causal subordinativa (equivale a "pois/já que"), unida e sem acento, introduz a explicação da razão: "dormiam naquilo porque tinham‑se acostumado".

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