Questão FC410083
Leia o texto a seguir para responder à questão. O céu pode esperar Certa manhã acordei com uma rádio de Belo Horizonte noticiando que Humberto Werneck havia morrido. Para quem, com
Morfologia
VUNESP · 2025
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O céu pode esperar
Certa manhã acordei com uma rádio de Belo Horizonte noticiando que Humberto Werneck havia morrido. Para quem, como eu, chama-se Humberto Werneck, não há pior maneira de começar o dia.
Nem um minuto se passou e em nossa casa começaram a desabar dezenas de telefonemas, de amigos e parentes consternados com o meu falecimento. Não me ocorreu saborear aquelas manifestações póstumas de estima e consideração. Estava ressabiadíssimo.
Pelo meio-dia, já mais à vontade, veio-me a ideia macabra de comparecer a meu próprio velório. Só não fui porque minha mãe me alertou para as imprevisíveis consequências de encontrar, à beira do caixão, alguém que ali chegasse para me velar.
Durante anos, de fato, volta e meia topei com pessoas que me julgavam morto − um conhecido deixou cair uma garrafa de cerveja ao me ver entrar, vivinho, na Lanchonete Nacional. Mas não foi desse susto, felizmente, que meu amigo veio a morrer, pouco tempo mais tarde.
Quanto a mim, acabei tropeçando um dia com o que poderia ser o meu túmulo, enquanto procurava o de meus avós no cemitério Bonfim. Não há como descrever a sensação de ler, numa lápide negra, o nosso nome e as datas de nascimento e morte.
Fui à Administração e exumei a ficha: o inquilino da sepultura era um segundo-sargento da Polícia Militar mineira.
Fosse apenas o sargento − mas não: tempos depois, me morre outro Humberto Werneck, no Rio de Janeiro. Nunca mais me livrei da impressão de que, já tendo morrido dois, a bola da vez, agora, sou eu.
(Humberto Werneck, “O céu pode esperar”, O espalhador de passarinhos, 2010. Adaptado)
No trecho “... Humberto Werneck havia morrido.”, a expressão destacada pode ser substituída, sem prejuízo do sentido original, por:
- morrera
- morreu
- morria
- morreria
- morrerá
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Gabarito
A
Comentário do professor
Havia morrido é uma forma do pretérito mais-que-perfeito composto (verbo haver + particípio) e serve para indicar que a ação de morrer ocorreu antes de outro fato passado — aqui, o relato da rádio que estava noticiando situa a cena em um passado já estabelecido.
Morrera é o pretérito mais-que-perfeito simples e tem exatamente o mesmo valor temporal de anterioridade: expressa ação concluída anterior a outro evento passado. Assim, ao substituir havia morrido por morrera, preserva-se integralmente a cronologia e o sentido da oração.
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