Questão FC410085
Leia o Texto a seguir para responder à questão abaixo. Espero estar enganada, mas meu senso de observação, aliado a algumas matérias que andei lendo, tem me induzido a pensar que p
Morfologia
VUNESP · 2025
Leia o Texto a seguir para responder à questão abaixo.
Espero estar enganada, mas meu senso de observação, aliado a algumas matérias que andei lendo, tem me induzido a pensar que pessoas maduras, também conhecidas como velhas, continuam empolgadas com a vida e fazendo planos para o futuro, enquanto os jovens, que eram os que detinham o monopólio da vitalidade, estão entediados, apáticos, achando graça em nada.
Outro dia, estava conversando com amigos da minha faixa etária, todos já nos seus 60 anos e com filhos na casa dos 30, e a impressão deles era a mesma. A nova geração tem passado os dias com cara de paisagem. Eles trabalham sem esperança, não se apaixonam perdidamente e seus entusiasmos mal duram um fim de semana, logo esfriam. Não que tivéssemos muitas certezas na idade deles, mas a gente ia em frente com dúvida e tudo. Um dia de sol na praia era um acontecimento. Abraçávamos nossas causas com inocência e ardor, nunca com ódio. Vibrávamos numa frequência positiva. Sorriso não era uma raridade em nosso rosto e não falávamos por monossílabos: palestrávamos em mesa de bar. Melancolia? De vez em quando, cedíamos a ela, claro. Éramos poetas, alguns trágicos, cortesia da arte e de suas consequências na alma, mas tudo era visto como privilégio da existência. Não havia zumbis atrás de telas, buscávamos excitação de verdade.
Que desalento é esse que está intoxicando garotos e garotas que deveriam estar em seu auge? São pouco afirmativos e não lutam por seus sonhos – nem mesmo sonham.
Falta propósito. E o fracasso apavora. Contentam-se em ser uma eterna promessa e não estão entendendo que o tempo irá cobrar caro, um dia, pela postura do “tanto faz”.
(Martha Medeiros, “Juventude apática”, 16.03.2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Adaptado)
Considere os trechos a seguir:
• Eles trabalham sem esperança, não se apaixonam perdidamente e seus entusiasmos mal duram um fim de semana… (2o parágrafo)
• Não que tivéssemos muitas certezas na idade deles, mas a gente ia em frente com dúvida e tudo. (2o parágrafo)
• Não havia zumbis atrás de telas, buscávamos excitação de verdade. (2o parágrafo)
• E o fracasso apavora. (3o parágrafo)
A alternativa em que todos os verbos expressam ações ocorridas no passado é:
- trabalham, duram, tivéssemos.
- trabalham, ia, buscávamos.
- ia, havia, apavora.
- ia, havia, buscávamos.
- tivéssemos, ia, apavora.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Ia, havia e buscávamos estão no pretérito imperfeito do indicativo, tempo verbal que situa ações ou estados no passado de forma durativa, habitual ou descritiva.
Ia (do verbo ir) concorda com “a gente” e indica continuidade: algo que acontecia ao longo do passado — “a gente ia em frente” = seguíamos mesmo com dúvidas.
Havia (do verbo haver) é usado de modo impessoal no pretérito imperfeito para expressar existência ou ocorrência passada — equivale a “existia” ou “tinha” naquela época.
Buscávamos (do verbo buscar) está na 1.ª pessoa do plural do pretérito imperfeito, marcando uma ação habitual ou prolongada no passado — era um comportamento recorrente.
Portanto, esses três verbos indicam precisamente ações/estados ocorridos no passado, com caráter descritivo ou habitual no enunciado.
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