Questão FC410089
Dialética erística é a arte de discutir, mais precisamente a arte de discutir de modo a vencer, e isso per fas et per nefas (por meios lícitos ou ilícitos). De fato, é possível ter
Morfologia
VUNESP · 2023
Dialética erística é a arte de discutir, mais precisamente a arte de discutir de modo a vencer, e isso per fas et per nefas (por meios lícitos ou ilícitos). De fato, é possível ter razão objetivamente no que diz respeito à coisa mesma, e não tê-la aos olhos dos presentes e inclusive aos próprios olhos.
Assim ocorre, por exemplo, quando o adversário refuta minha prova e isso é tomado como uma refutação da tese mesma, em cujo favor se poderiam aduzir outras provas. Neste caso, naturalmente, a situação do adversário é inversa àquela que mencionamos: ele parece ter razão, ainda que objetivamente não a tenha. Por conseguinte, são duas coisas distintas a verdade objetiva de uma proposição e sua validade na aprovação dos contendores e ouvintes. A esta última é que a dialética se refere.
Donde provém isso? Da perversidade natural do gênero humano. Se esta não existisse, se no nosso fundo fôssemos honestos, em todo debate tentaríamos fazer a verdade aparecer, sem nos preocupar com que ela estivesse conforme à opinião que sustentávamos no começo ou com a do outro; isso seria indiferente ou, em todo caso, de importância muito secundária. No entanto, é isso o que se torna o principal.
Nossa vaidade congênita, especialmente suscetível em tudo o que diz respeito à capacidade intelectual, não quer aceitar que aquilo que num primeiro momento sustentávamos como verdadeiro se mostre falso, e verdadeiro aquilo que o adversário sustentava. Portanto, cada um deveria preocupar-se unicamente em formular juízos verdadeiros. Para isso, deveria pensar primeiro e falar depois. Mas, na maioria das pessoas, à vaidade inata associa-se a verborragia e uma inata deslealdade. Falam antes de ter pensado e, quando, depois, se dão conta de que sua afirmativa era falsa e não tinham razão, pretendem que pareça como se fosse ao contrário. O interesse pela verdade, que na maior parte dos casos deveria ser o único motivo para sustentar o que foi afirmado como verdade, cede por completo o passo ao interesse da vaidade.
O verdadeiro tem de parecer falso e o falso, verdadeiro.
(Arthur Schopenhauer. Como vencer um debate sem precisar ter razão)
Assinale a alternativa que substitui o enunciado – Donde provém isso? – atendendo a norma-padrão de regência e conjugação do verbo, independentemente da preservação do sentido original.
- Onde vou ficar, quando eu vir trabalhar aqui?
- Aonde conveio estacionar durante a tempestade?
- Onde vamos pôr as caixas que conterem equipamento?
- Aonde se detiveram aquelas pessoas?
- Aonde irei, se virem que estou escondido aqui?
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A frase "Aonde irei, se virem que estou escondido aqui?" está correta segundo a norma-padrão.
O uso de aonde é adequado porque indica movimento — há a preposição a unida a onde, exigida por verbos de deslocamento como ir. Logo, perguntar "aonde irei" refere‑se a ir para algum lugar.
Quanto à forma verbal, virem é o futuro do subjuntivo do verbo ver, usada em orações condicionais introduzidas por se para hipótese futura ("se virem que..."). Assim, a conjugação está em conformidade com a regência e a temporalidade exigidas pela oração.
Portanto, tanto a regência (préposição e indicação de movimento) quanto a conjugação (tempo verbal adequado) justificam a alternativa como correta.
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