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Questão FC410100

Leia o texto para responder à questão. Objetos de estimação Os objetos do outro não devem ser menosprezados. Não se pode julgar pela aparência, pois, muitas vezes, são de estimação

Morfologia

VUNESP · 2023

Leia o texto para responder à questão.

 

Objetos de estimação

 

Os objetos do outro não devem ser menosprezados. Não se pode julgar pela aparência, pois, muitas vezes, são de estimação. O valor emocional nunca está explícito na etiqueta. Assim, um tênis velho pode ser o mais confortável. Um chinelo indigente talvez represente a liberdade do lar. Não são objetos de valor, como um relógio antigo ou um colar de prata. Mas são objetos quebrados, machucados, sofridos, enferrujados.

 

O avô de Fabrício, Leônida, por exemplo, entrava em pânico quando não achava a tesourinha de aparar bigode, que tinha desde a época de sua adolescência. Às vezes, ele nem queria a tesourinha para usar na hora, era somente para se certificar de que permanecia no mesmo lugar onde a tinha deixado.

 

A maior indignação de Leônida foi quando desapareceu o seu pulôver amarelo, que repousava sempre nas costas de uma cadeira. Tamanho o apego, nem corria o risco de colocá- lo para lavar com frequência. Vestia a malha para cortar lenha de manhã. Qualquer um o enxergava de longe, trabalhando com a machadinha no quintal.

 

Um dia, depois de procurar incansavelmente o pulôver nas gavetas e nos armários, de esculhambar a casa, revirar o quarto, chegou perto da mulher, que estava encerando o piso, e perguntou-lhe se ela não tinha pegado a peça por engano. Ela nem precisou responder. Leônida, arrasado, enxergou o pulôver amarelo nos pés de sua esposa. Havia sido aposentado à força e transformado num pano para lustrar o chão.

(Fabrício Carpinejar. Família é tudo. 4a ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2020. Adaptado)

 

No trecho − Não se pode julgar pela aparência, pois, muitas vezes, são de estimação. –, os verbos destacados estão no tempo presente. Passando- os para o futuro, tem-se, respectivamente:

  1. Não se podia julgar pela aparência, pois, muitas vezes, eram de estimação.
  2. Não se poderá julgar pela aparência, pois, muitas vezes, serão de estimação.
  3. Não se pôde julgar pela aparência, pois, muitas vezes, seriam de estimação.
  4. Não se poderia julgar pela aparência, pois, muitas vezes, foram de estimação.
  5. Não se podia julgar pela aparência, pois, muitas vezes, serão de estimação.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Ao passar os verbos para o futuro, deve-se empregar o futuro do presente do indicativo, que indica ação posterior ao momento da fala.

Assim, pode torna‑se poderá e são torna‑se serão — forma apresentada na alternativa B.

Observe a concordância e a modalidade: o verbo poder aparece em construção impessoal com se (impessoal), portanto permanece na 3.ª pessoa do singular → poderá.
Já o verbo ser concorda com o substantivo plural subentendido (os objetos), exigindo a 3.ª pessoa do plural → serão.

Portanto, a alternativa B está correta por empregar corretamente o futuro do presente e manter a concordância verbal adequada.

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