Questão FC410176
Leia o texto para responder a questão. Chico Bento – Vixi! Como você cresceu! Inté parece qui foi onte qui plantei esse limoero! Agora, já tá cheio di gaio! Quase da minha artura!
Morfologia
VUNESP · 2022
Leia o texto para responder a questão.
Chico Bento – Vixi! Como você cresceu! Inté parece qui foi onte qui plantei esse limoero! Agora, já tá cheio di gaio! Quase da minha artura! Como o tempo passa, né? Uns tempo atrais, ocê era deste tamanhico! Fiz um buraquinho e ponhei ocê inda mudinha dentro! Protegi dos vento, do sor, das geada... i nunca deixei fartá água! Imagina se ia deixa ocê passa sede! (...)
(Bortoni, Ricardo. A Educação em língua materna: a sociolinguística em sala de aula, 2004)
A forma usada por Chico Bento em relação ao verbo pôr, que é irregular, ponhei,
- está em desacordo com a formação dos tempos verbais em língua portuguesa, por isso deverá ser substituída pela forma “ponho”, num processo linguístico de analogia.
- é estigmatizada nas comunidades urbanas, frequentemente utilizada por comediantes como estereotipia dos falares rurais, não devendo ser seu uso considerado legítimo.
- é uma forma estigmatizada que não agrega valor à linguagem e que deveria ser substituída por “ponho”, observando-se a norma culta, uma vez que não é aceita pelos demais falantes da língua portuguesa.
- demonstra que esse falante, ainda que não domine a norma culta, conhece a língua portuguesa e suas estruturas, utilizando-se de formas construídas a partir das regras das conjugações regulares.
- é uma variante, estabelecida por analogia às regras das conjugações regulares da língua portuguesa, mas não deveria ser utilizada por desrespeitar a norma culta que prevê outra forma para esse verbo irregular.
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Gabarito
D
Comentário do professor
ponhei é uma forma resultante da aplicação da terminação do pretérito perfeito regular “-ei” a um verbo que, em língua-padrão, é irregular: o verbo pôr.
Na norma culta, o pretérito perfeito de pôr é pus. A forma usada por Chico Bento, porém, segue o mesmo padrão que produz verbos como “coloquei”, “dancei”, “visitei”.
Essa criação mostra analogia — ou seja, a extensão das regras produtivas de flexão aos verbos que não as seguem no registro culto — e revela conhecimento das conjugações regulares e das estruturas verbais.
Portanto, ponhei indica que o falante, embora não domine plenamente a norma culta, possui competência linguística e utiliza regras sistemáticas da língua para formar flexões verbais.
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