Questão FC410181
Leia o texto para responder a questão. Francisca trabalhou dos dez aos 48 anos em “casa de família”, no Rio. Nunca alcançou um salário mínimo nem lhe assinaram a carteira. Quando i
Morfologia
VUNESP · 2021
Leia o texto para responder a questão.
Francisca trabalhou dos dez aos 48 anos em “casa de família”, no Rio. Nunca alcançou um salário mínimo nem lhe assinaram a carteira. Quando infartou e não pôde mais trabalhar, ficou com uma mão na frente e a outra atrás: não teve direito a pensão nem aposentadoria. O marido cata papel no lixão. O filho que morreu foi gari, açougueiro, entregador de verduras no Ceasa. Fez até curso de segurança. Depois de um ano desempregado, virou traficante. Durou um ano vivo. “Ele ganhava 1 500 reais por semana. Pagava meus remédios, passagem, prestação do guarda-roupa, gás, tudo”, diz Francisca. “Não era o que eu desejava para ele. Sonhava que fosse mecânico. Mas eu aceitava o dinheiro porque não tinha opção.”
Ao chegar do trabalho, o filho deixava o fuzil no portão. Como se fosse a caixa de ferramentas. “Meu filho, não quero esses brinquedos perigosos dentro de casa”, Francisca dizia. Como bom filho, ele obedecia.
(Eliane Brum. O olho da rua. São Paulo: Globo, 2008. Adaptado)
No trecho – “Ele ganhava 1500 reais por semana. Pagava meus remédios, passagem, prestação do guarda-roupa, gás, tudo” –, as palavras em destaque indicam ações que
- começaram no passado e ainda estão ocorrendo no presente.
- ocorreram no passado mais de uma vez.
- já estão acontecendo e vão se repetir.
- não aconteceram, mas Francisca desejava que tivessem acontecido.
- ainda vão acontecer, mas a autora as relata como se já tivessem acontecido.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Alternativa B: as formas verbais destacadas indicam ações ocorridas no passado mais de uma vez.
Gramaticalmente, ganhava e pagava estão no pretérito imperfeito do indicativo. Esse tempo verbal é usado para falar de fatos passados caracterizados por continuidade ou repetição.
O valor semanticopragmático do imperfeito é o de uma ação habitual ou frequente: descreve comportamentos rotineiros no passado, sem indicar seu término pontual.
No contexto do texto, fica claro que essas ocorrências eram hábitos do filho — ele costumava ganhar e costumava pagar as despesas — o que confirma a leitura de ações passadas e repetidas, refletida pelo uso do imperfeito.
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