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Questão FC410216

Briga de casal Ana teve uma discussão com o marido e se trancou no quarto, chateadíssima. Encostou-se na cama, fechou os olhos e começou a respirar fundo para se acalmar, porque o

Morfologia

VUNESP · 2020

Briga de casal

 

Ana teve uma discussão com o marido e se trancou no quarto, chateadíssima. Encostou-se na cama, fechou os olhos e começou a respirar fundo para se acalmar, porque o que sentia naquela hora era vontade de avançar nele. Mas o cansaço falou mais alto que a raiva. Um trabalho estressante, filhos dando preocupações, pais idosos para cuidar. A exaustão cobrou seu preço e Ana adormeceu.

 

Quando acordou, ela lembrou-se que tinha discutido com o marido, lembrou-se da raiva que sentiu quando se fechou no quarto, mas... qual era mesmo o motivo da briga? Ana foi tomada por um esquecimento total, irremediável. Por nada deste mundo conseguia se lembrar. O esgotamento que vem enfrentando parece ter comprometido profundamente a memória dela. Ela se esquece de tudo e, naquele momento, o

motivo da briga havia sumido completamente de sua cabeça.

 

Ana saiu do quarto devagar, foi até a cozinha, preparou um chá e voltou para o quarto. Daí a pouco, Douglas, o marido, entrou, já era hora de dormir, e perguntou: “Tá mais calma?”. Ela sacudiu a cabeça, dizendo: “Você não é fácil...” e voltou a ler um livro em silêncio até adormecer. Na manhã seguinte, cada um saiu correndo para o trabalho, à noite eles se encontraram como se na véspera nada houvesse acontecido e até hoje Ana não tem a menor ideia do que a fez brigar com o marido.

 

A maioria das brigas de casais é provocada por razões absolutamente tolas, risíveis, motivos que merecem ser esquecidos. Se as pessoas fizessem as contas de quanto tempo já perderam nessas discussões desnecessárias, o resultado seria assustador. É muito desperdício de vida. São tardes jogadas pela janela, sábados que não voltam mais, noites que poderiam ser dedicadas a um bom filme, manhãs de verão que poderiam ter se desdobrado em dias de absoluta leveza, em vez de produzir amargura, ressentimento, mau humor e fazer as pessoas consumirem mais um comprimido para dor de cabeça ou dor de estômago.

 

(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)

 

A forma verbal destacada está no tempo presente em:

  1. Ana teve uma discussão com o marido...
  2. Ela se esquece de tudo...
  3. Se as pessoas fizessem as contas...
  4. ... quanto tempo já perderam nessas discussões...
  5. ... o resultado seria assustador.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A forma destacada "esquece" pertence ao verbo esquecer-se e aparece acompanhada do pronome reflexivo "se".

Trata‑se do presente do indicativo, tempo que expressa um fato atual, um estado ou uma característica habitual.

Do ponto de vista morfológico, é a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo (ela esquece). O pronome "se" indica que o verbo é pronominal nessa construção.

No contexto do texto, o uso do presente revela o estado momentâneo/constante da personagem: ao acordar, ela não lembra — o esquecimento ocorre no presente, não é ação passada nem hipótese.

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