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Questão FC410221

Leia o texto para responder à questão. Confiando no vento Naquele dia, Leila se lembrou do avô distante(A) que os irmãos mais velhos o descrevem como um homem franzino(B), sempre d

Morfologia

VUNESP · 2020

Leia o texto para responder à questão.


Confiando no vento


Naquele dia, Leila se lembrou do avô distante(A) que os irmãos mais velhos o descrevem como um homem franzino(B), sempre de boina e chupando balas. O menino estrangeiro, o clandestino, interno do abrigo de menores, o alfaiate no lombo do burro com sua máquina, o tocador de bandolim que falava uma língua só dele(C), mistura de português, francês e árabe.


A lembrança do avô veio à memória de Leila, especialmente se recordou de uma história com as peras do quintal dele. Ele estava já com setenta e muitos anos quando, pela primeira vez, começou a ter problemas de saúde. Cada dia uma coisa, aquele varejo implacável do envelhecer. O filho e a nora quiseram levá-lo ao médico, mas ele se recusou. O médico foi até sua casa e ele não quis recebê-lo. Remédios, nem pensar. E o avô de Leila só definhando, recusando qualquer tipo de tratamento.


Até que um dia, provavelmente para se livrar da insistência da família, ele, homem de pouquíssimas palavras, deu uma explicação definitiva para seu comportamento:


− Sabem aquelas peras lá do quintal? Quando estão muito maduras, elas caem com o vento. Vocês já viram alguém amarrar alguma delas no galho para durar mais tempo? Não, porque a gente confia no vento. Ele sabe a hora certa. Então, por favor, não queiram me amarrar na árvore. Me deixem em paz. Eu estou esperando o vento.


Poucos dias depois, uma brisa levou sem alarde o alfaiate(D). Numa cultura que nega a existência da velhice, ora admite que ela existe, mas a promove artificialmente à condição de melhor etapa da vida, saber respeitar a direção e a intensidade dos ventos, ao que tudo indica, é algo que ninguém quer.


As árvores estão cheias de peras amarradas que lutam, não só para não caírem, mas para não demonstrarem que amadureceram. O avô de Leila, que tanta estranheza causou com sua teimosia contra os homens e sua obediência à natureza, provavelmente iria se assustar com os pomares de hoje(D).


(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)


A forma verbal destacada está no tempo presente em:

  1. Naquele dia, Leila se lembrou do avô distante...
  2. ... que os irmãos mais velhos o descrevem como um homem franzino...
  3. ... o tocador de bandolim que falava uma língua só dele...
  4. Poucos dias depois, uma brisa levou sem alarde o alfaiate.
  5. ... provavelmente iria se assustar com os pomares de hoje.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Descrevem está no presente do indicativo. Trata-se da forma verbal que indica ação atual, habitual ou que se repete no tempo presente.

Conjugação (resumida): eu descrevo, tu descreves, ele descreve, nós descrevemos, vós descreveis, eles descrevem. A forma usada no texto é a de 3.ª pessoa do plural.

Sintaticamente, o pronome relativo que retoma avô, mas o sujeito do verbo é os irmãos mais velhos, que estão no plural; por isso o verbo aparece em descrevem. O pronome oblíquo o funciona como objeto direto, referindo-se ao avô.

Logo, a escolha do presente do indicativo expressa a ideia de descrição corrente pelos irmãos, justificando a forma verbal destacada.

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