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Questão FC410225

Relações de desamor Um dia, uma médica conversou com Leila sobre relacionamentos amorosos que não acabam, mas deixam de ser amorosos. A doutora disse que, após anos trabalhando em

Morfologia

VUNESP · 2020

Relações de desamor

 

Um dia, uma médica conversou com Leila sobre relacionamentos amorosos que não acabam, mas deixam de ser amorosos. A doutora disse que, após anos trabalhando em consultório, ainda não conseguia deixar de se espantar com o comportamento de alguns casais maduros. A mulher ia acompanhar o marido e, durante toda a consulta, demonstrava de forma clara o desprezo e o desamor que sentia pelo companheiro. Eram palavras ríspidas, comentários irônicos, ausência absoluta de qualquer gesto de companheirismo e afeto.

 

– Ele faz tudo errado! – diz uma das mulheres.

 

– Explica direito o que você está sentindo! – outra ordena ao marido.

 

A sensação que Leila tem é de que são mulheres que, de uma forma ou de outra, foram dominadas pelo marido ou traídas por ele. Enfim, mulheres que se decepcionaram profundamente com o companheiro, mas decidiram levar o casamento adiante. E agora, porque o marido está mais envelhecido ou com a saúde frágil, precisando ou até mesmo dependendo delas, as mulheres dão o troco. Continuam com o companheiro, mas se colocam numa posição superior e, sempre que possível, deixam claro: não sentem qualquer admiração ou respeito por aquela pessoa que está ali do seu lado.

 

Leila saiu do consultório pensando em casais que conhecia com esse comportamento descrito pela médica, do quanto é constrangedor presenciar tais situações e como é melancólico constatar que, às vezes, o que une duas pessoas que passaram uma vida juntas é o rancor. São casais que exercitam diariamente a agressividade, o desrespeito e a amargura. Não só as mulheres, claro, são capazes desse exercício de desamor.

 

Infelizmente, a crueldade do ser humano é muito maior do que gostaríamos de supor, e as relações proporcionam oportunidades infinitas para magoar, humilhar ou arrasar o outro. O certo, quando o amor deixa de existir, seria separar- se, até para que novas histórias de amor pudessem nascer, mas, acima de tudo, para evitar que tantas outras coisas essenciais sejam enterradas. Entre elas, a capacidade – dificílima – de eventualmente perdoar.

 

(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)

 

Assinale a alternativa em que a forma verbal destacada está no tempo presente.

  1. Um dia, uma médica conversou com Leila…
  2. … ainda não conseguia deixar de se espantar…
  3. … porque o marido está mais envelhecido…
  4. O certo, quando o amor deixa de existir, seria separar-se…
  5. … para que novas histórias de amor pudessem nascer…
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

“está” é a forma do verbo estar conjugada na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo — corresponde a “ele/ela está”.

Gramaticalmente, trata-se de um verbo de ligação que conecta o sujeito “o marido” ao seu estado descrito pelo predicado “mais envelhecido”.

Seu uso no presente do indicativo indica situação atual, isto é, a condição em que o marido se encontra no momento referenciado pelo texto, não uma ação passada nem uma hipótese.

Portanto, a forma “está” marca tempo presente e função copulativa, expressando o estado contemporâneo do sujeito.

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