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Questão FC410239

– Como posso ajudar, querida?

Morfologia

VUNESP · 2019

Leia o texto para responder a questão.

 

Vizinhos

 

Fabrício via na infância moradores pedindo um pouco de açúcar, de sal, de arroz e de café emprestado para os vizinhos. Era natural a convivência harmoniosa na urgência. Chegava uma visita inesperada e não se tinha tempo para sair e dar um pulo no mercado. Então batia-se na porta ao lado e dificilmente alguém recebia um não.

 

Com a insegurança atual, o máximo que Fabrício testemunha na vida adulta é vizinho gritando para baixar a música, chamando a polícia ou denunciando os outros nas reuniões de condomínio.

 

Fabrício e a mulher, Beatriz, estavam jantando, num sábado, quando a campainha do apartamento deles tocou. Fabrício já se encontrava receoso, tanto que tratou de criticar e expelir o veneno pela boca:

 

– Quem veio nos incomodar e estragar a paz do final de semana?

 

Beatriz, ao contrário do marido, abriu a porta com generosidade:

 

– Como posso ajudar, querida?

 

Uma senhora do apartamento do andar de cima, Dona Lúcia, vinha solicitar um abajur emprestado. Beatriz não estranhou o pedido nem hostilizou a necessidade da vizinha. Foi ao quarto e, imediatamente, trouxe o objeto.

 

– Não tenha pressa de devolver.

 

Fabrício ainda se sentia irritado com a cara de pau da vizinha e ficou desconfiado com o destino do empréstimo. Não quis se meter no assunto, embora considerasse que Beatriz tinha sido ingênua ao emprestar o abajur. Logo mais estariam pedindo o sofá, as cortinas, a máquina de lavar, as cadeiras, o fogão, a geladeira... Não teria fim a ciranda de favores.

 

Entretanto, no dia seguinte a vizinha voltou com o abajur e mais um vaso com flores muito perfumadas para retribuir a gentileza de Beatriz. Quando Fabrício olhou para as flores no centro da mesa, sentiu o perfume em seu rosto. Arrependeu-se de pensar e desejar o pior, pensando no quanto a confiança é perfumada.

 

(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017. Adaptado)

 

Assinale a alternativa em que o verbo destacado está no tempo presente.

  1. Chegava uma visita inesperada...
  2. Logo mais estariam pedindo o sofá...
  3. Beatriz não estranhou o pedido...
  4. ... o máximo que Fabrício testemunha na vida adulta...
  5. ... no dia seguinte a vizinha voltou com o abajur...
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Gabarito

D

Comentário do professor

Testemunha é a forma do verbo testemunhar destacada na frase.

Trata-se da flexão na terceira pessoa do singular, concordando com o sujeito explícito Fabrício.

Morfologicamente, essa forma pertence ao presente do indicativo.

Funcionalmente, aqui o presente expressa uma realidade atual e generalizada — algo que ocorre na vida adulta de Fabrício de modo contínuo ou habitual: "o máximo que Fabrício testemunha na vida adulta".

Por isso, a alternativa indicada é correta: o verbo está no presente do indicativo, marcando uma ação atual/habitual atribuída ao sujeito.

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