Questão FC410273
Leia o texto, para responder à questão. Há povos que gostam de apelidos. Brasileiros, hispanos e norte-americanos estão entre os principais. Quase ninguém imagina que Bill Clinton
Morfologia
VUNESP · 2019
Leia o texto, para responder à questão.
Há povos que gostam de apelidos. Brasileiros, hispanos e norte-americanos estão entre os principais. Quase ninguém imagina que Bill Clinton seja, na verdade, William Jefferson Clinton. Difícil supor que um Pepe mexicano seja José e um Pancho tivesse chegado ao batistério como Francisco. Bem, qual estrangeiro suporá Chico como apelido de Francisco? Em eras pré-politicamente corretas, abundavam os “japas”, os “chinas”, os “gordos” e os “carecas”. Hoje, tudo implica risco.
Além do apelido, existem apostos que qualificam mais do que uma simples alcunha. Por vezes, são qualificativos positivos: Alexandre, o Grande; Luís XIV, o Rei-Sol; Luís XV, o Bem-Amado; e, no campo republicano, Simon Bolívar, o Libertador. Podem ser eufemismos para defeitos, como a indecisão crônica de Filipe II da Espanha. A história oficial o registra como Filipe, “o Prudente”. Há as diferenças nacionais. A única rainha do Antigo Regime português é conhecida na terrinha como D. Maria I, a Pia. No Brasil, por vários motivos, ela é “a Louca”.
Os qualificativos para famosos são uma maneira de defesa dos fracos.
Não posso derrubar presidente, não tenho a fama de um craque, não tenho o dinheiro de fulano: tasco-lhe um apelido como a vingança do bagre diante do hipopótamo.
Rio um pouco, divulgo diante do meu limitado grupo igualmente ressentido e me sinto vingado. Apelidar de forma negativa é, quase sempre, reconhecer minha inferioridade.
Fazer graça com a característica alheia pode revelar o mico interno de cada um de nós. Nosso macaquinho é inferior aos grandes símios. Em choques, apenas temos a possibilidade de subir rapidamente em galhos mais finos do que os rivais poderosos poderiam. Escalar e gritar: orangotango bobo, gorila vacilão, chimpanzé flácido! Lá de cima, protegido pela nossa fraqueza-força, rimos do maior. Apelidar é defender-se e tentar, ao menos na fala, vencer quem parece superior a nossas forças. Classificar o outro de tonto traz alívio; por exclusão, eu não sou.
(Leandro Karnal, O nome que eu desejo e o apelido que eu tenho. O Estado de S. Paulo, 03 de julho de 2019. Adaptado)
A passagem “Rio um pouco, divulgo diante do meu limitado grupo igualmente ressentido e me sinto vingado.” está reescrita de acordo com a norma-padrão de emprego de verbos e colocação pronominal em:
- Espera-se que vocês riem um pouco, divulgam diante do seu limitado grupo igualmente ressentido e sintam-se vingados.
- Esperava-se que ela ri um pouco, divulgue diante do seu limitado grupo igualmente ressentido e se sente vingada.
- Espera-se que nós riamos um pouco, divulguemos diante do nosso limitado grupo igualmente ressentido e sintamo-nos vingados.
- Esperou-se que ele ria um pouco, divulgava diante do seu limitado grupo igualmente ressentido e se sentiu vingado.
- Esperou-se que eles riam um pouco, divulgassem diante do seu limitado grupo igualmente ressentido e tenha sentido-se vingados.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A frase correta obedece à correlação verbal exigida por Espera-se que. Esse verbo principal exige, nas orações subordinadas introduzidas pela conjunção integrante que, o emprego do modo subjuntivo.
Assim, os verbos das orações subordinadas aparecem no presente do subjuntivo: riamos (de rir), divulguemos (de divulgar) e sintamo-nos (de sentir, com pronome reflexivo).
A posição do pronome é adequada: em oração coordenada aditiva, a colocação pronominal é facultativa, aceitando-se tanto sintamo-nos quanto nos sintamos. Aqui optou‑se pela forma enclítica após a conjunção.
Portanto, a reescrita mantém a correlação de tempos (presente do indicativo na matriz → presente do subjuntivo nas subordinadas) e respeita a colocação pronominal, tornando a alternativa correta.
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