Questão FC410283
O que é ser jovem até o fim O que significa envelhecer? Ouso me perguntar o significado deste verbo que a modernidade ocidental baniria da língua se pudesse. No primeiro sentido do
Morfologia
VUNESP · 2019
O que é ser jovem até o fim
O que significa envelhecer? Ouso me perguntar o significado deste verbo que a modernidade ocidental baniria da língua se pudesse. No primeiro sentido do dicionário, envelhecer é se tornar velho. A frase me remete a um amigo de infância, Francisco, precocemente envelhecido. Continuo, no entanto, sem resposta.
Volto ao dicionário. No segundo sentido, envelhecer é tomar aspecto de velho. Olho a foto de Jacques Lacan, psicanalista francês com o qual trabalhei, e vejo seus cabelos brancos. Só que ele não é velho pelas suas cãs*. A intensidade do olhar evidencia a juventude do homem, que era jovem aos setenta e quatro anos, quando o conheci.
Nos outros sentidos que o dicionário dá, eu também não encontro resposta. No caso dos humanos, não se pode dizer que envelhecer é perder o viço. O homem não é um fruto. Tampouco se pode dizer que é estar em desuso. O homem não é um objeto.
A busca de um esclarecimento, através da língua, se mostra infrutífera. Olho de novo para a foto e me digo que o envelhecimento físico não é suficiente para caracterizar o velho. Me pergunto então por que Lacan não o era com mais de setenta anos, enquanto Francisco envelheceu aos sessenta.
Comparando-se a Picasso, Lacan dizia que não procurava as suas ideias, simplesmente achava. Um belo dia, declarou no seminário: “Eu agora procuro e não acho”. Com esta frase, anunciou que a sua vida começava a acabar.
A juventude de Lacan, como a de Picasso, estava ligada à capacidade de se renovar através do trabalho. Duas vezes por mês, se apresentava em público, diante de mil pessoas, com ideias novas, e, para isso, muito se esforçava.
Lacan foi um exemplo de vida por nunca ter parado de começar. Embora fosse um intelectual, Francisco, ao contrário, considerou, a partir dos sessenta, que já não podia começar nada de novo e não parou de se repetir. Não quis abrir mão de nenhum hábito da juventude. Lamentava o tempo que passa, porém não aceitava este fato e não se detinha nas mudanças do corpo para encontrar soluções de vida.
Só sabia dizer: “Na minha idade é assim”. Foi vítima de uma fantasia arcaica sobre a idade e viveu à contramão do tempo, fazendo de conta que o tempo não passa. Morreu precocemente por não ter sido capaz de entender que, depois de ser natural, a juventude é uma conquista.
(Betty Milan. Veja, 15.06.2011. Adaptado)
*cãs: cabelos brancos
No trecho do sétimo parágrafo, – ... não aceitava este fato e não se detinha nas mudanças do corpo ... –, a autora empregou deter, um verbo derivado de ter.
Tendo por base essa informação, assinale a alternativa em que o verbo destacado está empregado em conformidade com a norma-padrão.
- Se a barragem deter a força da chuva, não haverá incidentes na região.
- As crianças manteram a paciência, apesar do atraso no início do espetáculo.
- O grupo folclórico entreteu os turistas trazendo muita animação para a festa.
- Os jornalistas se ateram a informar apenas quais eram os envolvidos na denúncia.
- Quando o contêiner contiver todos os produtos previstos, poderá ser despachado.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O enunciado usa corretamente o verbo conter no futuro do subjuntivo: contiver. Isso ocorre porque conter é derivado do verbo ter e, por isso, conserva a mesma irregularidade no paradigma verbal.
Com a conjunção temporal quando, exige-se o futuro do subjuntivo (ex.: quando ele tiver). Aplicando a mesma forma ao derivado, temos: quando o contêiner contiver, que é paralelo a quando ele tiver.
Portanto, a frase "Quando o contêiner contiver todos os produtos previstos, poderá ser despachado." está em conformidade com a norma-padrão, pois emprega corretamente a forma do futuro do subjuntivo do verbo derivado.
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