Questão FC43459
É proibido chorar Em um dos meus textos em que eu falava sobre as dificuldades de lançar meu livro e, ao mesmo tempo, de suportar as dores diárias da sobrevivência, muita gente se
Interpretação de Textos
IBFC · 2022
É proibido chorar
Em um dos meus textos em que eu falava sobre as dificuldades de lançar meu livro e, ao mesmo tempo, de suportar as dores diárias da sobrevivência, muita gente se identificou com a minha luta.
Nenhuma surpresa nisso, pois desde que nascemos as pedras espreitam nosso caminho.
E a briga pelo leite, o choro, já era o nosso grito de que não aceitaríamos tudo calados.
Infelizmente, alguns deixaram de gritar, por isso, choram até hoje. Não tenho dó de quem sofre, tenho raiva de quem faz sofrer.
Sei de vários que estão na luta e merecem o meu e o nosso respeito: são os quixotes da periferia.
Não só os da periferia geográfica, mas todos os que vivem no centro do esquecimento da humanidade, quer seja artista (?), ou não. Aliás, ser artista neste país não é um privilégio, e sim um castigo, não sei por que tem tanta gente metida a besta só por conta disso.
Tristes figuras. Às vezes, os vejo por aí, os guerreiros, correndo atrás de sonhos e também me vejo neles, sou um deles também, nunca deixei de sonhar, coleciono pedras, mas também semeio quimeras. Vejo e me identifico com a luta, outras vezes, observo-os em silêncio e penso no que será que eles estão pensando, ou como deve ser a casa deles, e, na maioria das vezes, quantos inimigos devem ter. E a única coisa da qual tenho certeza e sei é sobre o que eles comem: poeira e lama. Seja procurando um emprego no centro da cidade, um CD demo debaixo do braço, uns poemas numas folhas de sulfite amareladas e sujas ou um simples bico de pedreiro, boa parte desses guerreiros passa a vida lutando e não se importa com as portas pesadas que cada vez se fecham mais para a nossa gente, que nasce sem as chaves certas e programadas.
A chave de tudo é não desistir, não há outra saída que não a ousadia, a perseverança e a teimosia. [...]
(VAZ, Sérgio. Literatura, pão e poesia: histórias de um povo lindo e inteligente. São Paulo: Global Editora, 2020, p. 39-40)
Ao afirmar que “desde que nascemos as pedras espreitam nosso caminho” (2º§), o autor:
- faz uso da linguagem simbólica para indicar as dificuldades da vida.
- defende que as dificuldades limitam-se a um só período da vida.
- sugere que as dificuldades da vida devem ser combatidas como as pedras.
- detalha quais são as dificuldades enfrentadas no momento do nascimento.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Alternativa correta: A (Faz uso da linguagem simbólica para indicar as dificuldades da vida).
O texto utiliza a expressão "nascemos as pedras esperitam nosso caminho" de maneira simbólica para indicar as dificuldades da vida que surgem ao longo do caminho.
Explicação das outras alternativas:
-
B (Defende que as dificuldades limitam-se a um único período da vida): Incorreta. O texto não afirma que as dificuldades se restringem a um único período da vida, mas sugere que elas acompanham o ser humano em diversos momentos.
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C (Sugere que as dificuldades da vida devem ser combatidas como as pedras): Incorreta. O texto utiliza as pedras de forma simbólica, mas não sugere uma luta direta contra elas, e sim um caminho onde as pedras já estão presentes.
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D (Detalha quais são as dificuldades enfrentadas no momento do nascimento): Incorreta. O texto menciona o nascimento, mas o foco não é nas dificuldades enfrentadas naquele momento, e sim nas metáforas sobre a vida.
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