Questão FC43561
Dois velhinhos Dalton Trevisan Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo. Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia
Pontuação
IBFC · 2016
Dois velhinhos
Dalton Trevisan
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrando, anunciava o primeiro:
- Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
- Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
- Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia- se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.
Cochilou um instante - era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Editora Record, 1979, pag 110.
Leia as alternativas abaixo, retiradas do texto "Dois velhinhos", e assinale a alteração de pontuação que apresenta ERRO.
- Com inveja, perguntava, o que acontecia.
- Cochilou um instante: era dia.
- Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço, entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
- - Um cachorro, ergue a perninha no poste.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O erro de pontuação está na alternativa D: "Um cachorro, ergue a perninha no poste."
Neste caso, a vírgula foi utilizada de forma incorreta, pois separa o sujeito "Um cachorro" do predicado "ergue a perninha no poste", o que não é necessário. Não há pausa que justifique a presença da vírgula entre o sujeito e o verbo, resultando em um erro gramatical.
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