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Questão FC43562

Acho essa coisa da idade fascinante: tem a ver com o modo como lidamos com a vida. Se a gente a considera uma ladeira que desce a partir da primeira ruga, ou do começo de barriguin

Pontuação

IBFC · 2016

 

 

Texto

 

 

Setenta anos, por que não?

 

Acho essa coisa da idade fascinante: tem a ver com o modo como lidamos com a vida. Se a gente a considera uma ladeira que desce a partir da primeira ruga, ou do começo de barriguinha, então viver é de certa forma uma desgraceira que acaba na morte. Desse ponto de vista, a vida passa a ser uma doença crônica de prognóstico sombrio. Nessa festa sem graça, quem fica animado? Quem não se amargura?

 

[...]

 

Pois se minhas avós eram damas idosas aos 50 anos, sempre de livro na mão lendo na poltrona junto à janela, com vestidos discretíssimos, pretos de florzinha branca (ou, em horas mais festivas, minúsculas flores ou bolinhas coloridas), hoje aos 70 estamos fazendo projetos, viajando (pode ser simplesmente à cidade vizinha para visitar uma amiga), indo ao teatro e ao cinema, indo a restaurante (pode ser o de quilo, ali na esquina), eventualmente namorando ou casando de novo. Ou dando risada à toa com os netos, e fazendo uma excursão com os filhos. Tudo isso sem esquecer a universidade, ou aprender a ler, ou visitar pela primeira vez uma galeria de arte, ou comer sorvete na calçada batendo papo com alguma nova amiga.

 

[...]

 

Não precisamos ser tão incrivelmente sérios, cobrar tanto de nós, dos outros e da vida, críticos o tempo todo, vendo só o lado mais feio do mundo. Das pessoas. Da própria família. Dos amigos. Se formos os eternos acusadores, acabaremos com um gosto amargo na boca: o amargor de nossas próprias palavras e sentimentos. Se não soubermos rir, se tivermos desaprendido como dar uma boa risada, ficaremos com a cara hirta das máscaras das cirurgias exageradas, dos remendos e intervenções para manter ou recuperar a “beleza”. A alma tem suas dores, e para se curar necessita de projetos e afetos. Precisa acreditar em alguma coisa.

 

(LUFT, Lya. In: http://veja.abril.com.br. Acesso em 18/09/16)

 

A pontuação empregada em “Das pessoas. Da própria família. Dos amigos.” (3º§) cumpre um papel expressivo ao gerar o seguinte efeito:

  1. ritmo mais rápido do que com o emprego das vírgulas
  2. ênfase a cada um dos termos da enumeração
  3. hierarquização de valor aos termos da enumeração
  4. ressignificação do sentido dos termos empregados
  5. atribuição e valor imperativo aos termos enumerados
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Gabarito

B

Comentário do professor

A pontuação empregada em "Das pessoas. Da própria família. Dos amigos." cumpre o papel de dar ênfase a cada um dos termos da enumeração, reforçando a importância e o destaque de cada item listado individualmente.

O gabarito correto é B, uma vez que o uso do ponto final entre as expressões quebra a continuidade do texto e coloca em foco cada elemento, conferindo mais ênfase e reforçando o impacto de cada termo.

 

 

 

4o

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