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Questão FC44641

Fulano está respondendo a processo administrativo disciplinar que apura a sua responsabilidade em fatos que levaram a Administração Pública a arcar com relevantes prejuízos ao dar

Regime Jurídico Administrativo

VUNESP · 2022

Fulano está respondendo a processo administrativo disciplinar que apura a sua responsabilidade em fatos que levaram a Administração Pública a arcar com relevantes prejuízos ao dar recebimento em mercadoria de qualidade inferior à contratada, entregue por fornecedor. Beltrano é chefe do órgão público municipal no qual trabalha Fulano e inimigo confesso de Fulano. Aproveitando-se dessa situação, Beltrano substitui os membros da comissão de apuração, criada em razão do processo disciplinar, por pessoas da sua confiança, esperando com isso obter apuração favorável à demissão de Fulano. A respeito dessa situação hipotética é correto afirmar que
  1. por se tratar de processo administrativo, não são aplicáveis as mesmas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa que compõem o chamado “devido processo legal”.
  2. a conduta de Beltrano viola o princípio constitucional da impessoalidade, na medida em que se aproveita de sua posição hierárquica para desfavorecer desafeto pessoal.
  3. em razão da separação de poderes, a apuração administrativa será final e não poderá ser revista pelo Poder Judiciário, motivo pelo qual deve ser dado amplo direito de defesa a Fulano.
  4. ainda que se constate conluio entre Fulano e o fornecedor, não existe previsão legal de responsabilização administrativa deste em razão dos prejuízos causados por ato ímprobo.
  5. a ação de Beltrano atende ao princípio da moralidade, na medida em que busca a justa reparação de prejuízo causado por Fulano à Administração.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A atitude de Beltrano constitui violação do princípio da impessoalidade, previsto no art. 37 da Constituição, pois o agente público não pode usar sua posição para favorecer ou prejudicar pessoas por motivos pessoais.


O princípio impõe, entre outros deveres, a igualdade de tratamento, a neutralidade das decisões administrativas e a observância da finalidade pública. Substituir membros da comissão por pessoas de confiança com o objetivo de obter resultado desfavorável a um desafeto demonstra desvio de finalidade e discriminação.


Esses atos podem ser declarados nulos, gerar responsabilização administrativa do autor e permitir controle judicial, porque comprometem a regularidade e a legitimidade do processo disciplinar.

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