Questão FC463188
Suponha que o país Beta esteja enfrentando uma crise cambial, com forte desvalorização de sua moeda. O governo de Beta decide intervir no mercado de câmbio, utilizando suas reserva
Macroeconomia
FGV · 2024
Suponha que o país Beta esteja enfrentando uma crise cambial, com forte desvalorização de sua moeda. O governo de Beta decide intervir no mercado de câmbio, utilizando suas reservas internacionais para estabilizar o valor de sua moeda. No entanto, essa intervenção não foi suficiente, e o país também adotou um aumento nas taxas de juros para atrair capital estrangeiro. Com base nessa situação, acerca do impacto dessas políticas no balanço de pagamentos e na economia de Beta é correto afirmar que
- o uso das reservas internacionais reduz o superávit na conta corrente e aumenta o déficit na conta financeira.
- o aumento das taxas de juros pode atrair fluxos de capital estrangeiro de curto prazo, ajudando a financiar o déficit na conta corrente, mas também pode elevar os custos do serviço da dívida interna.
- a desvalorização da moeda resulta em um aumento nas exportações de Beta, o que faz o déficit da conta financeira ser compensado pela conta corrente, reduzindo a necessidade de reservas internacionais.
- o aumento das taxas de juros tende a aumentar a demanda por importações, o que piora ainda mais o déficit na conta corrente, independentemente dos efeitos sobre o fluxo de capitais.
- o uso de reservas internacionais para estabilizar a moeda de Beta aumenta a confiança dos investidores estrangeiros e reduz o impacto da desvalorização sobre o balanço de pagamentos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O aumento das taxas de juros eleva o retorno dos ativos domésticos, tornando-os mais atrativos a investidores estrangeiros. Isso gera ingressos de capital de curto prazo que aumentam a conta financeira e podem financiar o déficit na conta corrente, reduzindo a necessidade imediata de usar reservas.
Contudo, esse instrumento tem um custo fiscal: se a dívida pública é remunerada pelo mercado interno, o aumento da taxa eleva o juros pagos pelo governo, aumentando o custo do serviço da dívida interna e pressionando o orçamento. Além disso, títulos indexados a juros variáveis implicam maior despesa quando as taxas sobem.
Em suma, juros mais altos aliviam pressões externas via fluxos de capital, mas deterioram a sustentabilidade fiscal por elevar o serviço da dívida, especialmente em cenários de rollover ou curto prazo.
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