Questão FC463384
A Política Fiscal brasileira se inspira, desde o final da década de 1990, no chamado “Modelo da Equivalência Ricardiana”, que considera o déficit público como um fator de ineficiên
Macroeconomia
FGV · 2022
A Política Fiscal brasileira se inspira, desde o final da década de 1990, no chamado “Modelo da Equivalência Ricardiana”, que considera o déficit público como um fator de ineficiência alocativa. No entanto, o debate teórico sobre o papel da Política Fiscal opõe duas correntes de pensamento: os Novos Clássicos, defensores desse modelo, e os Keynesianos.
Com relação à análise da Política Fiscal por essas duas correntes, é correto afirmar que
- de acordo com a corrente Keynesiana, um orçamento público deficitário deve ser utilizado para a promoção do crescimento econômico, tendo em vista seu efeito sobre a demanda agregada da economia.
- a abordagem dos Novos Clássicos utiliza o modelo de expectativas racionais, segundo o qual os agentes econômicos esperam que o governo adote uma Política Fiscal anticíclica.
- ambas as correntes consideram que a Política Fiscal só tem efeito sobre o crescimento econômico se os aumentos de gastos forem financiados com dívida, e não com impostos.
- os Novos Clássicos advogam que a Política Fiscal deve adotar um orçamento equilibrado apenas em situações de crescimento da inflação.
- os Keynesianos recomendam que, em situações de queda da atividade econômica, a Política Fiscal adote um orçamento superavitário, com o objetivo de recuperar a confiança dos agentes econômicos.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A afirmação está correta porque a corrente Keynesiana vê o déficit público como instrumento de política macroeconômica para estimular a demanda agregada quando a economia opera com capacidade ociosa.
O mecanismo é simples: um aumento do gasto público ou uma queda de impostos eleva a demanda por bens e serviços, o que amplia produção e emprego. Esse efeito é amplificado pelo multiplicador, que em forma simplificada é \(k=\frac{1}{1-c(1-t)}\), onde \(c\) é a propensão marginal a consumir e \(t\) a taxa média de imposto.
Na avaliação keynesiana, em fases de recessão o financiamento por dívida é justificável porque traz recuperação da atividade e reduz desemprego. Em situações em que a política monetária está limitada, a ação fiscal se torna ainda mais relevante.
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