Questão FC463478
Observe a capa de março de 2008 da revista The Economist sobre a presença chinesa na África. No século XXI, a conjuntura da economia-mundo capitalista vem sendo impactada pelo ress
Economia Internacional
FGV · 2022
Observe a capa de março de 2008 da revista The Economist sobre a presença chinesa na África.

No século XXI, a conjuntura da economia-mundo capitalista vem sendo impactada pelo ressurgimento da China, o que tem afetado significativamente países emergentes, como os africanos, despertando simultaneamente temores e esperanças.
As afirmativas a seguir sobre as relações econômicas entre China e África, a partir dos anos 2000, estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A aproximação econômica chinesa privilegia países produtores de petróleo da região, como Angola, Nigéria e Líbia, com o objetivo de diversificar suas fontes de abastecimento e garantir combustível para o seu crescimento econômico, no longo prazo.
- Apesar dos ganhos econômicos obtidos com a exportação de recursos naturais, os países africanos se ressentem do modelo de política externa intervencionista da China, como na ingerência eleitoral na Costa do Marfim (2010) e para conter grupos fundamentalistas islâmicos no Mali (2013).
- A intensificação da relação bilateral sino-africana, a partir dos anos 2000, ocorreu em um contexto de vácuo da participação ocidental na região, depois das duas décadas anteriores de crise africana.
- O caráter neocolonial dos investimentos chineses é sustentado pelo fato dos mesmos não promoverem uma mudança na estrutura histórica de posicionamento dos Estados africanos como periferias do sistema capitalista mundial.
- A concentração dos investimentos chineses em poucos setores, muitos dos quais acompanhados pela importação de força de trabalho da própria China, fundamentam temores a respeito da manutenção da primarização das economias africanas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa é equivocada porque atribui à China uma prática de intervenção política e militar na África que não corresponde ao padrão observável. A diplomacia chinesa se pauta pelo princípio da não interferência, privilegiando investimentos, comércio e cooperação técnica.
Na Costa do Marfim (2010-2011) houve uma crise pós-eleitoral com dois presidentes contestados, mas não há evidência de ingerência chinesa nas eleições ou apoio direto a facções.
Em Mali (2013) a intervenção para combater grupos islamistas foi liderada pela França e sustentada por missões internacionais; a China participou em fóruns multilaterais e com contribuições a missões de paz da ONU, não com operações unilaterais de contenção.
Portanto, embora exista crítica africana sobre práticas econômicas chinesas, não se pode afirmar o tipo de intervenção político-militar referido na alternativa.
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