Questão FC463716
Desde a implementação do regime de metas de inflação no Brasil, em 1999, a condução da política monetária - com a taxa SELIC como principal instrumento - tem como objetivo central
Economia Brasileira
FGV · 2025
Desde a implementação do regime de metas de inflação no Brasil, em 1999, a condução da política monetária - com a taxa SELIC como principal instrumento - tem como objetivo central o controle da inflação. Contudo, a interação entre inflação, juros e crescimento econômico no país apresenta desafios significativos.
Assinale a opção que descreve corretamente um dilema recorrente na coordenação dessas políticas.
- A manutenção de elevadas taxas de juros reais pelo BACEN, embora essencial para conter a inflação, tende a aumentar o custo de financiamento da dívida pública, exigindo uma disciplina fiscal rigorosa que, se falhar, pode levar a um ciclo vicioso de maior endividamento e pressões inflacionárias.
- A política monetária perde sua eficácia em reduzir a inflação quando há desemprego estrutural elevado, pois a Curva de Phillips torna-se horizontal em vez de vertical.
- O câmbio flutuante, ao ser o principal instrumento de estabilização de preços, neutraliza os efeitos de qualquer política fiscal expansionista, resultando em crescimento econômico zero no longo prazo.
- A busca por superávits primários crescentes é suficiente para garantir baixas taxas de juros e alto crescimento, independentemente da taxa de inflação esperada pelos agentes.
- A Teoria Quantitativa da Moeda estabelece que a inflação é sempre um fenômeno monetário, de modo que a estabilidade econômica pode ser alcançada sem coordenação entre políticas fiscal e cambial.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Para conter a inflação, o BACEN eleva a SELIC, aumentando o custo do crédito na economia. Esse ajuste é eficaz na âncora de preços, mas eleva o custo do serviço da dívida quando grande parte da dívida pública é pós-fixada ou sensível à taxa básica.
Esse aumento exige maior disciplina fiscal para manter superávits primários que impedam a escalada do endividamento. Se o governo falhar, os juros sobre a dívida crescem, o risco fiscal e o prêmio de risco sobem e as expectativas de inflação se deterioram.
O resultado pode ser um ciclo vicioso: mais dívida leva a pressões inflacionárias, que exigem juros ainda mais altos para controlar os preços, reintroduzindo o problema. É esse trade-off entre política monetária e sustentabilidade fiscal que constitui o dilema central.
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