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Questão FC505036

Tecnologia na Educação: como ela pode favorecer a aprendizagem?

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

Instituto CONSULPAM · 2023

Tecnologia na Educação: como ela pode favorecer a aprendizagem?

 

A primeira vista, os números sobre tecnologia no ambiente escolar impressionam: segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2019, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, 88,1% dos estudantes brasileiros têm acesso a internet e 81% das escolas públicas do país possuem laboratórios de informática.

 

No entanto, um olhar mais atento revela um problema muito mais profundo: na educação básica, enquanto 4,1 milhões de estudantes da rede pública não têm acesso a conectividade, apenas 174 mil alunos do setor privado não possuem conexão a rede. A desigualdade não para por aí, evidenciando-se também quando o recorte é geográfico. Nas regiões Norte e Nordeste, o percentual de alunos de escolas públicas que utilizam a internet cai para 68,4% e 77%, respectivamente.

 

Apesar dos avanços rumo a inclusão feitos nos últimos anos, o retrato trazido pelo estudo evidencia os muitos desafios que as escolas públicas enfrentam para implementar um currículo alinhado a cultura digital, uma das competências gerais da educação básica estabelecida pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

 

“No período da pandemia, vimos que nossos alunos de escolas públicas não têm acesso à conectividade”, aponta Débora Garofalo, diretora de Inovação na empresa Multirio, vinculada à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (RJ). “Esse cenário mostra a importância de fomentar políticas públicas para o ensino das tecnologias e para a garantia da democratização do acesso a esses estudantes.”

 

Diferentes aspectos da tecnologia educacional

 

Garantir a universalização é, porém, só o primeiro passo. Conforme explica Paulo Blikstein, professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e diretor do Transformative Learning Technologies Lab, “você pode colocar internet em todas as escolas e isso não quer dizer que a aprendizagem vai melhorar”.

 

Para mostrar a dimensão do desafio no Brasil, o professor diferencia três camadas envolvidas quando utilizamos o termo tecnologia educacional. “Uma primeira camada são as tecnologias que chamamos de ‘infraestrutura’: conectividade, existência de computadores, equipamentos etc., que são pré-requisitos para fazer as outras coisas.

 

A segunda é o que a gente denomina de ‘tecnologias de ensino’, isto é, tudo que otimiza o ensino mais tradicional, como softwares de correção e otimização de textos e aulas de reforço em vídeo. Seria um uso para otimizar a escola, mas do jeito que ela já é. Isso tem um reflexo pequeno, mas importante”, diz.

 

E, finalmente, há a terceira camada, em que de fato ocorre uma mudança revolucionária no processo de ensino e aprendizagem: o uso das chamadas tecnologias de criação e experimentação, baseadas em metodologias ativas de aprendizagem como laboratórios makers e softwares de simulação de ciências, entre outros. “O que o mundo está fazendo é esta terceira camada, que é mudar a cara da escola, ter mais horas para testar teorias, por exemplo, com os alunos em laboratório”, afirma Paulo.

 

(Thais Paiva. Revista Nova Escola. Em: 10/10/2023. Adaptado.)

 

O acento grave foi retirado em alguns trechos do texto propositadamente. Analise as sentenças a seguir considerando possível ocorrência de crase:

 

I. “[...] 88,1% dos estudantes brasileiros têm acesso a internet [...]”

 

II. “Apesar dos avanços rumo a inclusão feitos nos últimos anos, [...]”

 

III. “[...] para implementar um currículo alinhado a cultura digital, [...]”

 

IV. “[...] para a garantia da democratização do acesso a esses estudantes.”

 

V. “[...] apenas 174 mil alunos do setor privado não possuem conexão a rede.”

 

VI. “[...] 4,1 milhões de estudantes da rede pública não têm acesso a conectividade [...]”

 

VII. “A primeira vista, os números sobre tecnologia no ambiente escolar impressionam: [...]”

 

Considerando a crase, pode-se afirmar que as sentenças destacadas anteriormente deverão empregar o acento grave em:

  1. I, II, III, IV, V, VI e VII.
  2. I, II e IV, apenas.
  3. III, IV, V, VI e VII, apenas.
  4. I, II, III, V, VI e VII, apenas.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D está correta porque em cada trecho há a fusão da preposição "a" exigida pelo termo regente com o artigo feminino "a" que determina o substantivo feminino seguinte, produzindo crase.

I) acesso à internet: "acesso" exige preposição "a" e "internet" é substantivo feminino, portanto à internet.

II) rumo à inclusão: "rumo" pede preposição "a" e "inclusão" é feminina, logo à inclusão.

III) alinhado à cultura digital: "alinhado" rege a preposição "a" e "cultura" é feminina, portanto à cultura.

V) conexão à rede: "conexão" exige "a" + substantivo feminino "rede", resultando em à rede.

VI) acesso à conectividade: mesma lógica de "acesso" + substantivo feminino "conectividade" → à conectividade.

VII) à primeira vista: trata‑se de uma locução adverbial feminina estabelecida, cuja crase é obrigatória.

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