Questão FC505073
Tecnologia na Educação: como ela pode favorecer a aprendizagem?
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
Instituto CONSULPAM · 2023
Tecnologia na Educação: como ela pode favorecer a aprendizagem?
A primeira vista, os números sobre tecnologia no ambiente escolar impressionam: segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2019, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, 88,1% dos estudantes brasileiros têm acesso a internet e 81% das escolas públicas do país possuem laboratórios de informática.
No entanto, um olhar mais atento revela um problema muito mais profundo: na educação básica, enquanto 4,1 milhões de estudantes da rede pública não têm acesso a conectividade, apenas 174 mil alunos do setor privado não possuem conexão a rede. A desigualdade não para por aí, evidenciando-se também quando o recorte é geográfico. Nas regiões Norte e Nordeste, o percentual de alunos de escolas públicas que utilizam a internet cai para 68,4% e 77%, respectivamente.
Apesar dos avanços rumo a inclusão feitos nos últimos anos, o retrato trazido pelo estudo evidencia os muitos desafios que as escolas públicas enfrentam para implementar um currículo alinhado a cultura digital, uma das competências gerais da educação básica estabelecida pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
“No período da pandemia, vimos que nossos alunos de escolas públicas não têm acesso à conectividade”, aponta Débora Garofalo, diretora de Inovação na empresa Multirio, vinculada à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (RJ). “Esse cenário mostra a importância de fomentar políticas públicas para o ensino das tecnologias e para a garantia da democratização do acesso a esses estudantes.”
Diferentes aspectos da tecnologia educacional
Garantir a universalização é, porém, só o primeiro passo. Conforme explica Paulo Blikstein, professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e diretor do Transformative Learning Technologies Lab, “você pode colocar internet em todas as escolas e isso não quer dizer que a aprendizagem vai melhorar”.
Para mostrar a dimensão do desafio no Brasil, o professor diferencia três camadas envolvidas quando utilizamos o termo tecnologia educacional. “Uma primeira camada são as tecnologias que chamamos de ‘infraestrutura’: conectividade, existência de computadores, equipamentos etc., que são pré-requisitos para fazer as outras coisas.
A segunda é o que a gente denomina de ‘tecnologias de ensino’, isto é, tudo que otimiza o ensino mais tradicional, como softwares de correção e otimização de textos e aulas de reforço em vídeo. Seria um uso para otimizar a escola, mas do jeito que ela já é. Isso tem um reflexo pequeno, mas importante”, diz.
E, finalmente, há a terceira camada, em que de fato ocorre uma mudança revolucionária no processo de ensino e aprendizagem: o uso das chamadas tecnologias de criação e experimentação, baseadas em metodologias ativas de aprendizagem como laboratórios makers e softwares de simulação de ciências, entre outros. “O que o mundo está fazendo é esta terceira camada, que é mudar a cara da escola, ter mais horas para testar teorias, por exemplo, com os alunos em laboratório”, afirma Paulo.
(Thais Paiva. Revista Nova Escola. Em: 10/10/2023. Adaptado.)
“No período da pandemia, vimos que nossos alunos de escolas públicas não têm acesso à conectividade”, aponta Débora Garofalo, diretora de Inovação na empresa Multirio, vinculada à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (RJ). “Esse cenário mostra a importância de fomentar políticas públicas para o ensino das tecnologias e para a garantia da democratização do acesso a esses estudantes.” As aspas foram utilizadas no trecho anterior com a função de:
- Indicar um trecho em que o discurso indireto foi empregado.
- Indicar a fala de uma voz de autoridade no assunto desenvolvido.
- Desenvolver uma melhor compreensão da mensagem para o interlocutor.
- Destacar uma informação de relevância para o entendimento do assunto tratado.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
B
Comentário do professor
As aspas no trecho cumprem a função de indicar uma citação direta e, ao mesmo tempo, destacar a fala de uma voz de autoridade sobre o tema. Ao reproduzir literalmente as palavras de Débora Garofalo, o texto atribui a opinião a uma pessoa identificada com cargo relevante na área.
Essa atribuição confere credibilidade e reforça o argumento central do texto sobre a necessidade de políticas públicas para a conectividade. O leitor entende que não se trata de uma observação genérica do narrador, mas de uma declaração de alguém com experiência e vínculo institucional.
Portanto, as aspas servem para marcar a origem da informação e para valorizar seu peso informativo ao situá‑la como fala de autoridade no campo educacional.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em