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Questão FC505572

Celebração da fantasia Foi na entrada da aldeia de Ollantaytambo, perto de Cuzco. Eu tinha me soltado de um grupo de turistas e estava sozinho, olhando de longe as ruínas de pedra,

Morfologia

IBFC · 2022

Celebração da fantasia

 

Foi na entrada da aldeia de Ollantaytambo, perto de Cuzco. Eu tinha me soltado de um grupo de turistas e estava sozinho, olhando de longe as ruínas de pedra, quando um menino do lugar, esquelético, esfarrapado, chegou perto para me pedir que desse a ele de presente uma caneta. Eu não podia dar a caneta que tinha, porque estava usando-a para fazer sei lá que anotações, mas me ofereci para desenhar um porquinho em sua mão.

 

Subitamente, correu a notícia. E de repente me vi cercado por um enxame de meninos que exigiam, aos berros, que eu desenhasse em suas mãozinhas rachadas de sujeira e frio, pele de couro queimado: havia os que queriam condor e uma serpente, outros preferiam periquitos ou corujas, e não faltava quem pedisse um fantasma ou um dragão.

 

E então, no meio daquele alvoroço, um desamparadozinho que não chegava a mais de um metro do chão mostrou-me um relógio desenhado com tinta negra em seu pulso:

 

- Quem mandou o relógio foi um tio meu, que mora em Lima – disse.

 

- E funciona direito? – perguntei.

 

- Atrasa um pouco – reconheceu.

 

(GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: L&PM, 2021, p. 39)

 

No texto, ocorre a presença de alguns substantivos flexionados no diminutivo. Pode-se concluir que esse emprego justifica-se não só pela indicação do tamanho, mas também:

  1. por fazer referência ao universo infantil.
  2. para desqualificar os elementos referidos.
  3. por indicar intimidade e conhecimento antigo.
  4. para exagerar a caracterização dos elementos.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O uso do diminutivo no trecho não indica apenas tamanho; funciona como recurso linguístico que remete ao universo infantil. Palavras como mãozinhas e desamparadinho destacam a pequenez física e, simultaneamente, situam os falantes como crianças, reforçando a cena social e etária.

Além disso, o diminutivo introduz um tom de afeição e proteção, aproximando o narrador dos meninos e enfatizando sua fragilidade. Esse vocabulário contribui para a caracterização dos personagens e para a construção do clima narrativo, mais íntimo e sensível, próprio de relatos sobre crianças.

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