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Questão FC505631

Texto II O texto abaixo é um fragmento de uma obra de ficção do escritor brasileiro Lima Barreto, na qual é descrito um país imaginário, Bruzundanga. Os heróis A república da Bruzu

Morfologia

IBFC · 2022

Texto II

O texto abaixo é um fragmento de uma obra de ficção

do escritor brasileiro Lima Barreto, na qual é descrito

um país imaginário, Bruzundanga.

Os heróis

 

A república da Bruzundanga, como toda pátria que se preza, tem também os seus heróis e as suas heroínas.

 

Não era possível deixar de ser assim, tanto mais que a pátria sempre foi feita para os heróis, e estes, sinceros ou não, cobrem e desculpam o que ela tem de sindicato declarado.

 

Um país como a Bruzundanga precisa ter os seus heróis e as suas heroínas para justificar aos olhos do seu povo a existência fácil e opulenta das facções que a têm dirigido.

 

O mais curioso herói da pátria bruzundanguense é sem dúvida uma senhora que nada fez por ela, antes perturbou-lhe a vida, auxiliando um aventureiro estrangeiro que se meteu nas suas guerras civis.

 

Para bem compreenderem o meu pensamento, é preciso que antes lhes recorde por alto alguns pontos da história política da Bruzundanga. Vou fazê-lo.

 

A atual República consta de territórios descobertos pelos iberos e povoados por eles e por outros povos das mais variadas origens.

 

Os colonizadores fundaram várias feitorias; e, quando fizeram a independência da Bruzundanga, essas feitorias ficaram sendo províncias do Império que foi criado.

 

Feita a República, elas ficaram mais ou menos como eram, com mais independência e outras regalias. Portanto, é claro que a evolução política da Bruzundanga tinha por expressão a unidade dessas províncias, e era mesmo o seu fim. Qualquer pessoa que tenha tentado, ou venha tentar, o desmembramento dessas províncias não pode ser tido como herói nacional.

 

Pois bem: um senhor estrangeiro, cheio de qualidades, talvez, meteu-se de parceria com uns rebeldes, para separar uma dessas províncias do bloco bruzundanguense. Isto ao tempo do Império. Em caminho, em umas das suas correrias, encontrou-se com uma moça da Bruzundanga que se apaixonou por ele. Seguiu-o nas suas aventuras e combates contra a união bruzundanguense. [...]

(BARRETO, Lima. Os Bruzundangas. São Paulo: Ed. Ática, 2011)

 

Além da forma simples, os verbos também podem ser encontrados em seus tempos compostos. Desse modo, em “Qualquer pessoa que tenha tentado”, tem-se a forma composta do:

  1. Pretérito Imperfeito do Indicativo.
  2. Futuro do Pretérito do Indicativo.
  3. Pretérito Mais-que-perfeito do Subjuntivo.
  4. Pretérito Perfeito do Subjuntivo.
  5. Futuro do Presente do Indicativo.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Pretérito perfeito composto do subjuntivo é o tempo verbal expresso em "tenha tentado".

Trata‑se de uma forma composta, formada pelo verbo auxiliar ter ou haver no presente do subjuntivo mais o verbo principal no particípio.

No exemplo, tenha é o presente do subjuntivo de ter e tentado é o particípio de tentar, portanto a locução tenha tentado constitui o pretérito perfeito composto do subjuntivo.

Funcionalmente, indica ação anterior ao momento de referência com nuance de hipótese, condição ou avaliação subjetiva, como em "Qualquer pessoa que tenha tentado" (quem realizou a tentativa anteriormente, em contexto condicional ou hipotético).

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