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Questão FC505632

Texto II O texto abaixo é um fragmento de uma obra de ficção do escritor brasileiro Lima Barreto, na qual é descrito um país imaginário, Bruzundanga. Os heróis A república da Bruzu

Morfologia

IBFC · 2022

Texto II

O texto abaixo é um fragmento de uma obra de ficção

do escritor brasileiro Lima Barreto, na qual é descrito

um país imaginário, Bruzundanga.

Os heróis

 

A república da Bruzundanga, como toda pátria que se preza, tem também os seus heróis e as suas heroínas.

 

Não era possível deixar de ser assim, tanto mais que a pátria sempre foi feita para os heróis, e estes, sinceros ou não, cobrem e desculpam o que ela tem de sindicato declarado.

 

Um país como a Bruzundanga precisa ter os seus heróis e as suas heroínas para justificar aos olhos do seu povo a existência fácil e opulenta das facções que a têm dirigido.

 

O mais curioso herói da pátria bruzundanguense é sem dúvida uma senhora que nada fez por ela, antes perturbou-lhe a vida, auxiliando um aventureiro estrangeiro que se meteu nas suas guerras civis.

 

Para bem compreenderem o meu pensamento, é preciso que antes lhes recorde por alto alguns pontos da história política da Bruzundanga. Vou fazê-lo.

 

A atual República consta de territórios descobertos pelos iberos e povoados por eles e por outros povos das mais variadas origens.

 

Os colonizadores fundaram várias feitorias; e, quando fizeram a independência da Bruzundanga, essas feitorias ficaram sendo províncias do Império que foi criado.

 

Feita a República, elas ficaram mais ou menos como eram, com mais independência e outras regalias. Portanto, é claro que a evolução política da Bruzundanga tinha por expressão a unidade dessas províncias, e era mesmo o seu fim. Qualquer pessoa que tenha tentado, ou venha tentar, o desmembramento dessas províncias não pode ser tido como herói nacional.

 

Pois bem: um senhor estrangeiro, cheio de qualidades, talvez, meteu-se de parceria com uns rebeldes, para separar uma dessas províncias do bloco bruzundanguense. Isto ao tempo do Império. Em caminho, em umas das suas correrias, encontrou-se com uma moça da Bruzundanga que se apaixonou por ele. Seguiu-o nas suas aventuras e combates contra a união bruzundanguense. [...]

(BARRETO, Lima. Os Bruzundangas. São Paulo: Ed. Ática, 2011)

 

Considerando o contexto, na passagem “e estes, sinceros ou não, cobrem e desculpam o que ela tem de sindicato declarado”, os verbos destacados estão flexionados no Presente do Indicativo e, semanticamente, exprimem uma ação que:

  1. apresenta um caráter de atemporalidade.
  2. remete ao passado de forma dinâmica.
  3. possui um sentido impositivo de interlocução.
  4. ocorre no exato momento da enunciação.
  5. acentua o valor da passagem do tempo.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Presente do Indicativo: as formas cobrem e desculpam estão nesse tempo verbal. No contexto, não indicam uma ação limitada ao momento da fala, mas uma característica constante do fenômeno descrito.

Isso confere atemporalidade: os verbos apontam para um fato geral ou habitual, válido em diferentes épocas, não vinculado a um instante específico. A ideia é que heróis, sinceros ou não, costumam servir para encobrir e justificar falhas da pátria de modo contínuo.

Um teste simples confirma: é possível parafrasear por «costumam cobrir» ou «habitualmente desculpam» sem alterar o sentido. Assim, o presente funciona como marcador de fato permanente ou verdade geral.

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