Questão FC505640
O texto abaixo é fragmento de um romance do escritor brasileiro Carlos Heitor Cony. III Foi uma noite difícil. Nunca dormíramos separados, uma ou outra chateação dela ou minha não
Morfologia
IBFC · 2022
O texto abaixo é fragmento de um romance do
escritor brasileiro Carlos Heitor Cony.
III
Foi uma noite difícil. Nunca dormíramos separados, uma ou outra chateação dela ou minha não chegava ao ponto banal de ir dormir no sofá ou no quarto ao lado. Sabíamos que uma noite juntos punha fim a qualquer aborrecimento. Eu não a podia sentir perto de mim, logo a abraçava, não para protegê-la, mas para proteger-me, ter certeza de que ela estava ali e era minha.
E ela tinha um jeito de só dormir segurando a minha mão. Sem necessidade de palavras e muito menos de explicações ou desculpas, terminávamos começando tudo de novo – e quanto maior e mais fundo tinha sido o aborrecimento, mais funda e prolongada era a posse.
Apesar de tudo, havia constrangimento agora. Ela soubera, pelo pior caminho, do caso com Teresa. Afinal, era um problema anterior, que acabara com o meu casamento, Sônia soubera daquele filho de maneira mais digna, eu próprio lhe revelara não apenas a infidelidade mas sua consequência.
Em nenhum momento achei necessário comentar o mesmo episódio com Mona. Bastava que ela soubesse por alto do meu passado, os pontos mais importantes, afinal, eu lhe prometera contar a história do mundo e não exatamente a minha história.
(CONY, Carlos Heitor. A casa do poeta trágico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005, p.126)
A construção verbal destacada em “e quanto maior e mais fundo havia sido o aborrecimento” pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:
- estava sendo.
- podia sido.
- fazia ser.
- tinha sido.
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Gabarito
D
Comentário do professor
tinha sido substitui sem prejuízo porque havia sido e tinha sido são construções do mesmo tipo: verbo auxiliar (haver/ter) + particípio (sido), formando um tempo composto que indica anterioridade em relação a outro fato passado.
Gramaticalmente, ambas marcam que o aborrecimento ocorreu antes do momento narrado. A escolha entre haver e ter é de estilo, não de sentido.
No uso, ter tende a aparecer mais na fala cotidiana e haver é mais frequente em registros formais, mas semanticamente mantêm a mesma relação temporal e a frase continua íntegra.
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