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Questão FC505645

Texto IV Telhado quebrado com gente morando dentro (fragmento) (Jarid Arraes) Acho injusto que entre nós duas, Juliana e eu, a necessidade constante de salvação tenha encontrado me

Morfologia

IBFC · 2023

Texto IV

Telhado quebrado com gente morando dentro

(fragmento)

(Jarid Arraes)

Acho injusto que entre nós duas, Juliana e eu, a necessidade constante de salvação tenha encontrado meu coração e não o dela. Acho injusto porque, ao contrário do que se fala por aí sobre duas irmãs com idades próximas, nunca fomos rivais, nunca disputamos a atenção dos nossos pais, nunca tivemos inveja uma da outra. Sempre fomos parceiras, amigas, cúmplices do crime que era ser menina num mundo todo feito para nos dobrar, dobrar e dobrar até que a coluna não aguentasse.

De todas as meninas que eu conheci, desde que me lembro, Juliana sempre foi a mais forte. Fazia o tipo mãe de todas. Era a que separava as brigas, a que dizia para os meninos irem tomar banho quando estavam fedendo demais, a que parava a brincadeira quando alguma coisa saía do controle. Minha irmã era chamada quando alguém caía e se machucava. O nome simplesmente saía da boca, porque sim, porque era fácil, porque era isso mesmo. “Juliana”, com o último “a” durando um tempo sem fim. [...]

 

No segundo parágrafo do texto IV, predomina um tempo verbal que cumpre, no texto, o efeito de          . Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.

  1. fazer com que os fatos passados sejam presentificados pelo leitor como algo que ainda ocorre no presente.
  2. transportar mentalmente o leitor a uma época passada indicando o que então era presente.
  3. enunciar ações que, iniciadas no passado, estendem-se até o momento atual, o presente da enunciação.
  4. denotar um fato certo ocorrido no passado que é consequência de outro que não se deu.
  5. indicar fatos que, ocorridos no passado, ainda se darão no futuro dependendo de certas condições.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Alternativa B está correta porque o parágrafo apresenta predominantemente o pretérito imperfeito do indicativo, tempo usado para descrever ações ou estados passados como habituais, em curso ou durativos.

Esse uso faz com que o narrador situe o leitor em um momento anterior, mostrando o que, naquele período, era uma realidade contínua ou característica da personagem.

No trecho, verbos como "Fazia", "era", "separava", "dizia", "estavam", "parava", "saía", "caía", "machucava" criam uma sequência de hábitos e descrições. Assim, o texto não relata um evento pontual, mas traça o quadro de como Juliana costumava ser e agir.

O efeito estilístico é transportar mentalmente o leitor para essa época passada, apresentando como presentes naquele tempo os traços e atitudes da irmã. Isso justifica a escolha da alternativa B.

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