Questão FC505682
Texto Uma câmera na mão e uma pergunta na cabeça: “Como seria a vida dos cães de moradores de rua?” Foi assim que o inquieto e curioso fotógrafo Edu Leporo, de São Paulo, especiali
Morfologia
IBFC · 2022
Texto
Uma câmera na mão e uma pergunta na cabeça: “Como seria a vida dos cães de moradores de rua?” Foi assim que o inquieto e curioso fotógrafo Edu Leporo, de São Paulo, especialista em retratos de animais em estúdio, iniciou sua nova jornada rumo à solidariedade.
Voltando de um trabalho, encontrou uma família de moradores de rua com três cães. Abordou-os e, no fim dos breves cliques, descobriu que o casal estava indo para a avenida Paulista. “Vão fazer o que lá?”, perguntou Leporo. “Vamos ao McDonald’s. Nossos cachorros gostam do sorvete de lá”, contou a dupla, que dividia o pouco que arrecadava com a venda de latinhas de alumínio com os seus bichinhos.
Era 2012 e aquela experiência nunca mais sairia da memória do fotógrafo. Tanto que a descoberta deste universo de afeto e respeito tornou-se combustível para o Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC), projeto que nasceu oficialmente em 2015, também na capital paulista.
Uma foto daquela dupla com seus cães foi publicada nas redes sociais de Leporo, gerando imenso interesse e comoção. O fotógrafo notou que, além de elogiar a beleza do clique, havia quem quisesse saber mais sobre os bastidores daquela imagem.
Era isso! Para dar visibilidade àquelas pessoas e a seus cães, alvos de inúmeros preconceitos, era preciso narrar as suas histórias. E foi assim, de clique em clique, que Leporo observou que, onde falta, por vezes comida e cobertor, transbordam amor e companheirismo.
“Um cachorro é, às vezes, o único vínculo que o morador de rua consegue ter com a sociedade. É com ele que tem amor, carinho e respeito”, afirma o fotógrafo, que já se deparou com histórias como a de seu José, morador da praça João Mendes, na região central de São Paulo, que viveu mais de 45 anos nas ruas, 14 deles ao lado do pequeno Duque. [...]
(Revista Ocas, edição nº119, 2019)
No sexto parágrafo, ao fazer uso da expressão adverbial “às vezes”, o enunciado:
- explicita, de modo específico, a incidência do que se afirma.
- relativiza o sentido da afirmação, impedindo a generalização.
- intensifica o conteúdo do que se afirma por meio do exagero.
- quantifica, com precisão, a ocorrência do que é afirmado.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A locução adverbial às vezes tem valor de frequência e funciona como um marcador que indica ocorrência parcial, não universal.
Ao aparecer no enunciado, ela relativiza a assertiva: sinaliza que o fato ocorre em algumas ocasiões, e não sempre.
Assim, a expressão impede a generalização, porque retira o caráter absoluto da frase; em vez de afirmar que um cão é invariavelmente o único vínculo do morador de rua, o texto afirma que isso acontece em determinados casos.
Em leitura crítica, identificar esse tipo de qualificador é fundamental para diferenciar afirmações categóricas de afirmações qualificadas por frequência.
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