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Questão FC505687

Texto II “Morrer... Eu não tinha medo de morrer. Por minha juventude, talvez, ou algo assim... Estávamos rodeados pela morte, a morte estava sempre por perto, porém eu não pensava

Morfologia

IBFC · 2022

Texto II

“Morrer... Eu não tinha medo de morrer. Por minha juventude, talvez, ou algo assim... Estávamos rodeados pela morte, a morte estava sempre por perto, porém eu não pensava nela. Não falávamos a respeito. Ela nos rodeava e cercava bem de perto, mas eu sempre passava batido. Uma noite, uma companhia inteira veio fazer reconhecimento de combate na área do nosso regimento. Quando estava amanhecendo, ela se retirou, e começamos a escutar gemidos vindos da faixa neutra. Um ferido tinha ficado ali. ‘Não vá, vão matar você’, os soldados não me deixavam ir, ‘não vê que já está clareando?”

Não dei ouvidos e rastejei para lá. Achei o ferido e arrastei-o por oito horas, usando um cinto que amarrei na mão. Trouxe-o com vida. O comandante ficou sabendo e, de cabeça quente, me deu cinco dias de prisão pela ausência sem autorização. Mas o comandante substituto do regimento reagiu de outra forma: ‘Merece uma medalha’.

Aos dezenove anos recebi a Medalha por Bravura. Aos dezenove anos meus cabelos ficaram brancos. Aos dezenove anos, na última batalha, um tiro pegou meus dois pulmões, a segunda bala passou no meio de duas vértebras. Minhas pernas ficaram paralisadas... E fui dada como morta...

Aos dezenove anos... Minha neta tem essa idade agora. Olho para ela e não acredito. É uma criança!

Cheguei do front em casa, minha irmã me mostrou a notificação de óbito... Tinham me enterrado...”

(Nadiéjda Vassílievna Aníssimova, enfermeira-instrutora do batalhão

de metralhadoras, no livro A guerra não tem rosto de mulher, de

Svetlana Aleksiévitch, 2016, p. 77-78)

 

A repetição, no terceiro parágrafo, da expressão adverbial “Aos dezenove anos” busca contrastar a juventude do enunciador com a dureza das experiências representadas. Considerando o contexto, tem-se, destacado, outro exemplo de expressão adverbial em:

  1. “Por minha juventude, talvez, ou algo assim...” (1º§)
  2. “Uma noite, uma companhia inteira veio fazer” (1º§)
  3. “usando um cinto que amarrei na mão” (2º§)
  4. “Olho para ela e não acredito.” (4º§)
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Gabarito

A

Comentário do professor

"Por minha juventude" funciona sintaticamente como adjunto adverbial. Trata-se de um constituinte preposicionado que traz uma circunstância à oração, não um elemento essencial ao verbo.

A estrutura é a preposição "por" + sintagma nominal "minha juventude". Pode ser parafraseada por "por causa de minha juventude", o que evidencia claramente seu valor semântico.

Semânticamente, o adjunto expressa causa: explica o motivo pelo qual o enunciador "não tinha medo de morrer". Ou seja, indica a razão que justifica a atitude apresentada.

Como adjunto adverbial circunstancial, o segmento fornece informação acessória e explicativa, contribuindo para o contraste entre a condição de juventude e a dureza das experiências narradas.

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