Questão FC505855
O texto abaixo é fragmento de um romance do escritor brasileiro Carlos Heitor Cony. III Foi uma noite difícil. Nunca dormíramos separados, uma ou outra chateação dela ou minha não
Semântica
IBFC · 2022
O texto abaixo é fragmento de um romance do
escritor brasileiro Carlos Heitor Cony.
III
Foi uma noite difícil. Nunca dormíramos separados, uma ou outra chateação dela ou minha não chegava ao ponto banal de ir dormir no sofá ou no quarto ao lado. Sabíamos que uma noite juntos punha fim a qualquer aborrecimento. Eu não a podia sentir perto de mim, logo a abraçava, não para protegêla, mas para proteger-me, ter certeza de que ela estava ali e era minha.
E ela tinha um jeito de só dormir segurando a minha mão. Sem necessidade de palavras e muito menos de explicações ou desculpas, terminávamos começando tudo de novo – e quanto maior e mais fundo tinha sido o aborrecimento, mais funda e prolongada era a posse.
Apesar de tudo, havia constrangimento agora. Ela soubera, pelo pior caminho, do caso com Teresa. Afinal, era um problema anterior, que acabara com o meu casamento, Sônia soubera daquele filho de maneira mais digna, eu próprio lhe revelara não apenas a infidelidade mas sua consequência.
Em nenhum momento achei necessário comentar o mesmo episódio com Mona. Bastava que ela soubesse por alto do meu passado, os pontos mais importantes, afinal, eu lhe prometera contar a história do mundo e não exatamente a minha história.
(CONY, Carlos Heitor. A casa do poeta trágico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005, p.126)
Na passagem “afinal, eu lhe prometera contar a história do mundo e não exatamente a minha história.” (4º§), os termos destacados sugerem tratar, nessa ordem, de algo:
- falso e verdadeiro.
- certo e errado.
- geral e particular.
- confuso e organizado
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa geral e particular é a correta porque a expressão “história do mundo” aponta para uma narrativa de ampla abrangência, impessoal e coletiva, enquanto “minha história” remete a fatos íntimos, específicos e singulares do eu narrador.
No contexto, o narrador distingue o alcance do que promete contar: ele oferece uma visão abrangente e universal, não a confissão dos detalhes privados que constituem sua vida pessoal. Essa oposição é de escopo e foco, não de veracidade ou organização.
Assim, a leitura mais adequada é entender história do mundo como termo geral e minha história como termo particular, justificando a omissão de episódios íntimos perante Mona.
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