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Questão FC505886

- Da ativa, minha senhora?

Sintaxe

IBFC · 2022

Texto I

 

A Mulher do Vizinho

 

Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora), também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.

 

O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.

 

O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:

 

- O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.

 

Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:

 

- Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?

 

O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.

 

- Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não e gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?

 

Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:

 

- Da ativa, minha senhora?

 

E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:

 

- Da ativa, Motinha! Sai dessa…

 

Fernando Sabino

 

Utilize o texto acima para responder a questão

 

Atente-se ao início do texto, mais especificamente, à expressão: “Contaram-me que na rua onde mora (...)”, nessa passagem manifesta-se um sentido indeterminado do agente. Assinale a alternativa que apresenta esse agente indeterminante.

  1. na rua.
  2. onde.
  3. Contaram-me.
  4. mora.
  5. me.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Contaram-me manifesta o sujeito indeterminado porque o verbo aparece na 3ª pessoa do plural sem que haja um termo que o represente no enunciado. Ou seja, alguém contou, mas esse agente não é identificado.

Na estrutura, o pronome oblíquo me indica a quem se dirige a informação, não quem a executou. O verbo plural sinaliza uma ação atribuída a pessoas não especificadas, consequência típica da indeterminação do sujeito em português.

Regra prática: quando o verbo vem na 3.ª pessoa do plural sem sujeito expresso, o sujeito é indeterminado. Exemplo paralelo: Roubaram meu celular — não sabemos quem praticou a ação, portanto o sujeito é indeterminado.

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