Questão FC505902
Texto I O conto do vigário (Joseli Dias) Um conto de réis. Foi esta quantia, enorme para a época, que o velho pároco de Cantanzal perdeu para Pedro Lulu, boa vida cuja única ocupaç
Sintaxe
IBFC · 2022
Texto I
O conto do vigário
(Joseli Dias)
Um conto de réis. Foi esta quantia, enorme para a época, que o velho pároco de Cantanzal perdeu para Pedro Lulu, boa vida cuja única ocupação, além de levar à perdição as mocinhas do lugar, era tocar viola para garantir, de uma casa em outra, o almoço de todos os dias. Nenhum vendeiro, por maior esforço de memória que fizesse, lembraria o dia em que Pedro Lulu tirou do bolso uma nota qualquer para comprar alguma coisa. Sempre vinha com uma conversa maneira, uma lábia enroladora e no final terminava por comprar o que queria, deixando fiado e desaparecendo por vários meses, até achar que o dono do boteco tinha esquecido a dívida, para fazer uma nova por cima.
A vida de Pedro Lulu era relativamente boa. Tocava nas festas, ganhava roupas usadas dos amigos e juras de amor de moças solteironas de Cantanzal. A vida mansa, no entanto, terminou quando o Padre Bastião chegou por ali. Homem sisudo, pregava o trabalho como meio único para progredir na vida. Ele mesmo dava exemplo, pegando no batente de manhã cedo, preparando massa de cimento e assentando tijolos da igreja em construção. Quando deu com Pedro Lulu, que só queria sombra e água fresca, iniciou uma verdadeira campanha contra ele. Nos sermões, pregava o trabalho árduo. Pedro Lulu era o exemplo mais formidável que dava aos fiéis. “Não tem família, não tem dinheiro, veste o que lhe dão, vive a cantar e a mendigar comida na mesa alheia”, pregava o padre, diante do rebanho.
Aos poucos Pedro Lulu foi perdendo amizades valiosas, os almoços oferecidos foram escasseando e até mesmo nas rodas de cantoria era olhado de lado por alguns.
“Isso tem que acabar”, disse consigo.
Naquele dia foi até a igreja e prostou-se diante do confessionário. Fingindo ser outra pessoa, pediu ao padre o mais absoluto segredo do que iria contar, porque havia prometido a um amigo que não faria o mesmo diante das maiores dificuldades, mas que vê-lo em tamanha necessidade, tinha resolvido confessar-se passando o segredo adiante.
O Padre, cujo único defeito era interessar-se pela vida alheia, ficou todo ouvidos. E foi assim que a misteriosa figura contou que Pedro Lulu era, na verdade, riquíssimo, mas que por uma aposta que fez, não podia usufruir de seus bens na capital, que somavam milhares de contos de réis. [...]
O adjunto adverbial “relativamente” reposiciona a caracterização da vida de Pedro Lulu visto que está, direta e sintaticamente, relacionado com o seguinte elemento:
- verbo de ligação.
- sujeito simples.
- predicativo do sujeito.
- adjunto adnominal.
- objeto direto.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Certo
Comentário do professor
A oração "A vida de Pedro Lulu era relativamente boa" é predicativa porque o verbo era funciona como verbo de ligação e o predicado é nominal. O sujeito é "A vida de Pedro Lulu".
O termo "relativamente" está sintaticamente ligado ao adjetivo "boa", que é o núcleo do predicativo do sujeito. Logo, "relativamente boa" constitui o predicativo do sujeito, atribuindo uma qualidade ao sujeito.
Especificamente, "relativamente" atua como adjunto adverbial de intensidade, modulando a força da característica expressa por "boa". Por isso ele reposiciona a caracterização do sujeito ao relacionar-se diretamente com o núcleo do predicativo.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em