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Questão FC505916

O texto abaixo é fragmento de um romance do escritor brasileiro Carlos Heitor Cony. III Foi uma noite difícil. Nunca dormíramos separados, uma ou outra chateação dela ou minha não

Sintaxe

IBFC · 2022

O texto abaixo é fragmento de um romance do

escritor brasileiro Carlos Heitor Cony.

III

 

Foi uma noite difícil. Nunca dormíramos separados, uma ou outra chateação dela ou minha não chegava ao ponto banal de ir dormir no sofá ou no quarto ao lado. Sabíamos que uma noite juntos punha fim a qualquer aborrecimento. Eu não a podia sentir perto de mim, logo a abraçava, não para protegêla, mas para proteger-me, ter certeza de que ela estava ali e era minha.

 

E ela tinha um jeito de só dormir segurando a minha mão. Sem necessidade de palavras e muito menos de explicações ou desculpas, terminávamos começando tudo de novo – e quanto maior e mais fundo tinha sido o aborrecimento, mais funda e prolongada era a posse.

 

Apesar de tudo, havia constrangimento agora. Ela soubera, pelo pior caminho, do caso com Teresa. Afinal, era um problema anterior, que acabara com o meu casamento, Sônia soubera daquele filho de maneira mais digna, eu próprio lhe revelara não apenas a infidelidade mas sua consequência.

 

Em nenhum momento achei necessário comentar o mesmo episódio com Mona. Bastava que ela soubesse por alto do meu passado, os pontos mais importantes, afinal, eu lhe prometera contar a história do mundo e não exatamente a minha história.

 

(CONY, Carlos Heitor. A casa do poeta trágico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005, p.126)

 

Há uma semelhança na estrutura destas duas orações: “não para protegê-la, mas para proteger-me” (1º§). Apesar de se tratar do uso do mesmo verbo, além da presença do advérbio “não”, o efeito de diferenciação de sentido é dado, principalmente:

  1. pelos complementos dos verbos.
  2. pelos sujeitos dos verbos.
  3. pela conjugação dos verbos.
  4. pelo sentido dos verbos
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Gabarito

A

Comentário do professor

A diferença de sentido entre "não para protegê-la, mas para proteger-me" reside nos complementos dos verbos. Em ambas as ocorrências o verbo é o mesmo, porém os pronomes oblíquos átonos vinculados ao verbo atuam como objetos diretos, indicando a quem se dirige a proteção.

O pronome la (= a) refere-se a um terceiro feminino, portanto o sentido é "proteger ela". Já o pronome me indica o próprio falante, significando "proteger a mim". Essa mudança de complemento altera completamente a quem se destina a ação.

Observe também que a forma gráfica muda por anexação do pronome ao infinitivo: proteger + a → protegê-la, proteger + me → proteger-me. Essa diferença ortográfica não altera o verbo, apenas marca o complemento que define o sentido.

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