Questão FC505918
Texto II “Morrer... Eu não tinha medo de morrer. Por minha juventude, talvez, ou algo assim... Estávamos rodeados pela morte, a morte estava sempre por perto, porém eu não pensava
Sintaxe
IBFC · 2022
Texto II
“Morrer... Eu não tinha medo de morrer. Por minha juventude, talvez, ou algo assim... Estávamos rodeados pela morte, a morte estava sempre por perto, porém eu não pensava nela. Não falávamos a respeito. Ela nos rodeava e cercava bem de perto, mas eu sempre passava batido. Uma noite, uma companhia inteira veio fazer reconhecimento de combate na área do nosso regimento. Quando estava amanhecendo, ela se retirou, e começamos a escutar gemidos vindos da faixa neutra. Um ferido tinha ficado ali. ‘Não vá, vão matar você’, os soldados não me deixavam ir, ‘não vê que já está clareando?”
Não dei ouvidos e rastejei para lá. Achei o ferido e arrastei-o por oito horas, usando um cinto que amarrei na mão. Trouxe-o com vida. O comandante ficou sabendo e, de cabeça quente, me deu cinco dias de prisão pela ausência sem autorização. Mas o comandante substituto do regimento reagiu de outra forma: ‘Merece uma medalha’.
Aos dezenove anos recebi a Medalha por Bravura. Aos dezenove anos meus cabelos ficaram brancos. Aos dezenove anos, na última batalha, um tiro pegou meus dois pulmões, a segunda bala passou no meio de duas vértebras. Minhas pernas ficaram paralisadas... E fui dada como morta...
Aos dezenove anos... Minha neta tem essa idade agora. Olho para ela e não acredito. É uma criança!
Cheguei do front em casa, minha irmã me mostrou a notificação de óbito... Tinham me enterrado...”
(Nadiéjda Vassílievna Aníssimova, enfermeira-instrutora do batalhão
de metralhadoras, no livro A guerra não tem rosto de mulher, de
Svetlana Aleksiévitch, 2016, p. 77-78)
Em “Eu não tinha medo de morrer.” (1º§), a estrutura destacada exerce a função sintática de:
- objeto indireto.
- adjunto adnominal.
- agente da passiva.
- complemento nominal.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Na frase Eu não tinha medo de morrer, a expressão de morrer funciona como complemento nominal.
Isso ocorre porque ela está ligada por preposição a um substantivo abstrato, o núcleo medo, complementando seu sentido: indica aquilo de que se tem medo.
O complemento nominal completa o significado de nomes (substantivos, adjetivos ou advérbios) e costuma apresentar valor semântico passivo em relação ao termo que complementa, ou seja, recebe semanticamente a ação ou a relação expressa pelo nome.
Portanto, de morrer não modifica o substantivo como um atributo; antes, especifica o conteúdo do medo, caracterizando-o e exercendo a função de complemento nominal.
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