Questão FC505937
Parece que ninguém está nem aí para você? É a tecnologia da desescutação? (Christian Dunker) Tendemos a interpretar palavras como “arte” ou “tecnologia” com um sentido positivo. No
Sintaxe
IBFC · 2024
Parece que ninguém está nem aí para você? É a tecnologia da desescutação? (Christian Dunker)
Tendemos a interpretar palavras como “arte” ou “tecnologia” com um sentido positivo. No entanto, existem artes que prosperam de forma silenciosa ou indireta, que nos levam a técnicas de si, que em um contexto social podem ser produtivas ou de acordo com ideais e em outro se tornam profundamente contraproducentes.
Pensemos em Dom Quixote, que se apega a valores como honra, coragem e nobreza, mas se torna um personagem anacrônico a ponto de ser tomado por louco.
Por exemplo em uma cultura de altíssimo engajamento atencional, contra a oferta digital de dispersão, produzirá um sentimento genérico de que estamos todos desatentos, desconcentrados e sem foco. Assim também a arte de deixar de escutar o outro pode ser desenvolvida no contexto de excesso de foco em outras coisas.
Tecnologias de desescutação podem ser descritas, assim como qualidades do tipo “fidelidade a objetivos”, aderência à disciplina”, “foco em resultados” podem concorrer para a desescutação. [...]
A sensação é de que está cada vez mais difícil escutar o outro. Assumir a sua perspectiva, refletir, reposicionar-se e fazer convergir diferenças está cada vez mais difícil de ser praticada. Isso se aplica tanto ao espaço público com suas novas e inesperadas conformações digitais quanto ao espaço privado das relações amorosas ou amistosas, passando pelas relações laborais e institucionalizadas. Uma descrição resumida desta situação costuma salientar que nossa vida está cada vez mais acelerada, icônica e funcionalizada.
A aceleração é um fenômeno da cultura da performance generalizada, derivada do universo da produção e da soberania do resultado.
Vivemos hoje com um acervo de instrumentos e meios que excedem o limite de nossas faculdades mentais “em estado natural”. Isso afeta brutalmente a situação de fala, que de certa forma se torna um pouco anacrônica.
Não é por acaso que novas síndromes envolvendo mutismo seletivo (como o do personagem Rajesh Koothrappali do seriado “The Big Bang Theory”) e o mutismo generalizado em crianças sejam cada vez mais frequentes. Neste ponto, não há exatamente uma novidade, mas o exagero e aprofundamento deste princípio que define a modernidade desde Baudelaire e Benjamin. [...]
(Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/colunas/blog-do-dunker/. Acesso em 06 de junho de 2024)
Considere o período abaixo para responder à questão.
“Uma descrição resumida desta situação costuma salientar que nossa vida está cada vez mais acelerada, icônica e funcionalizada.” (5º§)
A oração destacada estabelece uma relação sintática com a anterior e deve ser classificada como:
- subordinada substantiva.
- coordenada sindética.
- subordinada adjetiva.
- subordinada adverbial.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A oração destacada é uma oração subordinada substantiva porque exerce função nominal dentro da oração principal.
O elemento introdutor que atua como conjunção integrante, ligando a oração subordinada ao verbo da principal e integrando seu conteúdo ao predicado.
Sintaticamente, responde à pergunta o quê? em relação ao verbo costuma salientar, ou seja, funciona como objeto direto desse verbo.
Teste prático: é possível substituir a oração por termos nominais, por exemplo costuma salientar isso ou costuma salientar o facto de que nossa vida..., o que confirma sua natureza substantiva.
Portanto, trata-se de uma oração subordinada substantiva (objetiva direta), subordinada ao verbo da oração principal.
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