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Questão FC506095

Texto Uma câmera na mão e uma pergunta na cabeça: “Como seria a vida dos cães de moradores de rua?” Foi assim que o inquieto e curioso fotógrafo Edu Leporo, de São Paulo, especiali

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IBFC · 2022

Texto

 

Uma câmera na mão e uma pergunta na cabeça: “Como seria a vida dos cães de moradores de rua?” Foi assim que o inquieto e curioso fotógrafo Edu Leporo, de São Paulo, especialista em retratos de animais em estúdio, iniciou sua nova jornada rumo à solidariedade.

 

Voltando de um trabalho, encontrou uma família de moradores de rua com três cães. Abordou-os e, no fim dos breves cliques, descobriu que o casal estava indo para a avenida Paulista. “Vão fazer o que lá?”, perguntou Leporo. “Vamos ao McDonald’s. Nossos cachorros gostam do sorvete de lá”, contou a dupla, que dividia o pouco que arrecadava com a venda de latinhas de alumínio com os seus bichinhos.

 

Era 2012 e aquela experiência nunca mais sairia da memória do fotógrafo. Tanto que a descoberta deste universo de afeto e respeito tornou-se combustível para o Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC), projeto que nasceu oficialmente em 2015, também na capital paulista.

 

Uma foto daquela dupla com seus cães foi publicada nas redes sociais de Leporo, gerando imenso interesse e comoção. O fotógrafo notou que, além de elogiar a beleza do clique, havia quem quisesse saber mais sobre os bastidores daquela imagem.

 

Era isso! Para dar visibilidade àquelas pessoas e a seus cães, alvos de inúmeros preconceitos, era preciso narrar as suas histórias. E foi assim, de clique em clique, que Leporo observou que, onde falta, por vezes comida e cobertor, transbordam amor e companheirismo.

 

“Um cachorro é, às vezes, o único vínculo que o morador de rua consegue ter com a sociedade. É com ele que tem amor, carinho e respeito”, afirma o fotógrafo, que já se deparou com histórias como a de seu José, morador da praça João Mendes, na região central de São Paulo, que viveu mais de 45 anos nas ruas, 14 deles ao lado do pequeno Duque. [...]

 

(Revista Ocas, edição nº119, 2019)

 

Em “Para dar visibilidade àquelas pessoas e a seus cães” (5º§), ocorrem duas ocorrências da preposição “a”. Sobre elas, é correto afirmar que:

  1. um dos casos exemplifica uma ocorrência facultativa de crase.
  2. ilustram, sintaticamente, uma exigência de regência do verbo “dar”.
  3. o plural do pronome demonstrativo explica a ocorrência da crase.
  4. introduzem o complemento preposicionado do substantivo “visibilidade”.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na oração Para dar visibilidade àquelas pessoas e a seus cães, o verbo dar exige dois complementos: o objeto direto e o objeto indireto.

O termo visibilidade responde à pergunta o quê? e funciona como objeto direto (sem preposição).

As expressões àquelas pessoas e a seus cães respondem à pergunta a quem? e são objetos indiretos, sempre regidos pela preposição "a", exigida pelo verbo.

Sintaticamente, portanto, as duas ocorrências de a ilustram a regência de dar: a preposição integra os complementos indiretos que o verbo requer.

Observação rápida: há crase em àquelas (preposição + artigo), e não há crase em a seus cães (sem artigo).

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