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Questão FC506103

Analise o texto a seguir para responder a questão. Outdoors ambulantes A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa (Ruy

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IBFC · 2025

Analise o texto a seguir para responder a questão.

Outdoors ambulantes

A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa

(Ruy Castro)

 

O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

 

Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

 

Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

 

Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

 

O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

 

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoors-ambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)

 

Na passagem “limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão” (em verde), registram-se duas ocorrências da preposição “a”. No entanto, ocorre crase em apenas uma delas. Com base nessa afirmação, assinale a alternativa que apresenta um comentário correto.

  1. As duas ocorrências são complementos preposicionados do verbo “limitar”.
  2. Em “às ofertas”, continuaria ocorrendo crase caso estivesse escrito “à ofertas”.
  3. “A giz” é uma expressão adverbial, o que inviabiliza a ocorrência de crase.
  4. A ocorrência de crase é facultativa em “às ofertas”, sem prejuízo de sentido.
  5. A ausência de acento grave em “a giz” deve-se ao gênero do substantivo.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A ocorrência de crase resulta da fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou as). Só há crase quando ambos estão presentes.

Em a giz existe apenas a preposição a indicando modo (equivalente a "com"), sem artigo feminino antes de giz.

O substantivo giz é masculino; portanto não admite o artigo feminino a que permitiria a contração. Como não há artigo feminino, não ocorre crase.

Em termos práticos: escreveu a giz = escreveu com giz. A ausência do artigo feminino confirma que o acento grave não se aplica.

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