Questão FC506206
Texto Uma câmera na mão e uma pergunta na cabeça: “Como seria a vida dos cães de moradores de rua?” Foi assim que o inquieto e curioso fotógrafo Edu Leporo, de São Paulo, especiali
Concordância (Verbal e Nominal)
IBFC · 2022
Texto
Uma câmera na mão e uma pergunta na cabeça: “Como seria a vida dos cães de moradores de rua?” Foi assim que o inquieto e curioso fotógrafo Edu Leporo, de São Paulo, especialista em retratos de animais em estúdio, iniciou sua nova jornada rumo à solidariedade.
Voltando de um trabalho, encontrou uma família de moradores de rua com três cães. Abordou-os e, no fim dos breves cliques, descobriu que o casal estava indo para a avenida Paulista. “Vão fazer o que lá?”, perguntou Leporo. “Vamos ao McDonald’s. Nossos cachorros gostam do sorvete de lá”, contou a dupla, que dividia o pouco que arrecadava com a venda de latinhas de alumínio com os seus bichinhos.
Era 2012 e aquela experiência nunca mais sairia da memória do fotógrafo. Tanto que a descoberta deste universo de afeto e respeito tornou-se combustível para o Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC), projeto que nasceu oficialmente em 2015, também na capital paulista.
Uma foto daquela dupla com seus cães foi publicada nas redes sociais de Leporo, gerando imenso interesse e comoção. O fotógrafo notou que, além de elogiar a beleza do clique, havia quem quisesse saber mais sobre os bastidores daquela imagem.
Era isso! Para dar visibilidade àquelas pessoas e a seus cães, alvos de inúmeros preconceitos, era preciso narrar as suas histórias. E foi assim, de clique em clique, que Leporo observou que, onde falta, por vezes comida e cobertor, transbordam amor e companheirismo.
“Um cachorro é, às vezes, o único vínculo que o morador de rua consegue ter com a sociedade. É com ele que tem amor, carinho e respeito”, afirma o fotógrafo, que já se deparou com histórias como a de seu José, morador da praça João Mendes, na região central de São Paulo, que viveu mais de 45 anos nas ruas, 14 deles ao lado do pequeno Duque. [...]
(Revista Ocas, edição nº119, 2019)
Considere o fragmento abaixo.
“onde falta, por vezes comida e cobertor, transbordam amor e companheirismo” (5º§)
Embora estejam inseridos em uma estrutura sintática semelhante, os verbos que constituem o fragmento apresentam flexões distintas. Essa diferença é justificada em função da:
- ausência de vírgula após o termo adverbial intercalado “por vezes”.
- concordância obrigatória com o núcleo mais próximo do sujeito composto.
- dupla possibilidade de concordância com sujeito composto posposto ao verbo.
- ausência de sujeito explícito gerando a concordância com os complementos.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente para a possibilidade de duas formas de concordância quando o sujeito composto vem posposto ao verbo. Nesse caso o verbo admite tanto a concordância formal (com ambos os núcleos: plural) quanto a concordância por proximidade (com o núcleo mais próximo: singular).
No fragmento, o verbo faltar pode aparecer em faltam (concordância formal: comida e cobertor) ou em falta (concordância por proximidade: com o núcleo mais próximo, cobertor). Já o verbo transbordar foi flexionado no plural (transbordam), manifestando a concordância com ambos os núcleos do sujeito composto amor e companheirismo.
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